15 de maio de 2015

O ventre que pariu o mundo

o ventre que pariu o mundo
é um ventre esnobe
olha para a cria de canto de olho
não de descuido mas para não mimar

o ventre que pariu o mundo
não é de deus porque deus é homem
o ventre que pariu o mundo
não é da deusa porque a deusa é bruxa

o ventre que pariu o mundo não tem sexo
fica todo suspenso num ponto do universo
esnobando seus filhos-mundos que é pra não mimar

(e se não os alimenta é porque não pode
os mundos não pedem pra nascer
o ventre tem obrigação de parir
é assim que funcionam as coisas)

o ventre que pariu o mundo
fica parindo mundos até esgotar
então se fecha e morre

depois seus filhos morrem
um dia seus filhos morrem
um dia não haverá mais dias

é a assim que a poesia acaba.