3 de janeiro de 2013

(um beijo não é nada)

Sejamos sinceros: alguma coisa aconteceu na multidão.
Alguma coisa aconteceu e éramos uma multidão.
Nós dois, gigantes um do outro.

Devora-me eu digo, devora-me tu dizes.
Dizes assim, assim.
E subitamente o mundo fica vazio com a presença de dois gigantes sozinhos no não-mundo deles mesmos.

Ficamos mudos.
Nem os lábios se tocando fazem o mínimo dos sons.
A verdade nua e molhada da saliva não traz desejo de expressão que saia da boca: permanece ali.

E somos abençoados por estarmos submersos nas nossas próprias falhas.
Dois mundanos, as barbas ralas
Dois diamantes sem brilho, brutos e grossos
Cheios de vontade de abrir os olhos e perceber o desmundo ao redor na hora do beijo nosso –
O que acontece quando estamos aqui?

E o que acontece depois daquilo que vimos por dentro
Ainda um tanto molhados, suados e nervosos
É a verdade absoluta de que o mundo ainda existe igual
E cheio de inquietações

* Verão, 2012/2013.