28 de julho de 2013

Ela

Segue o ritmo pausando aqui-e-ali de vez em quando pra olhar tudo à volta.

       O retorno dele. É o que eu espero loucamente, loucamente. Uns olhos amendoados, ele tem. E os meus combinam. Tive um sonho: assim. Eu corria muito e quando chegava até você pulava no seu colo e te beijava enquanto você girava e eu desenhava círculos com os pés, rodando você me rodava, girando meus pés giravam e era tudo coreografia improvisada. Tudo de lábios encostados. Mas dizendo que sonhei contigo, não contei o quê. Você não merecia ouvir. Não e não e guardei tudo para mim. Rodar com você de vez em quando. Quando? Ver você mais vezes, na próxima vez vou contar. Às vezes eu me sinto sua mulher.

Segue.

15 de março de 2013

Não existe mais texto que nasça das minhas mãos que
não
são
mais
suas
nem vontade de esforço de tentar dizer o que não foi dito.

Você diz (mais ou menos assim): o que dizer quando tudo já foi dito?
                                  tudo.
                                                                           só não com palavras.

Tudo em mim
diz
sim.

Mas você não ouve.

2 de março de 2013

eu divago
em cima do chão caído,
caído

pedaços de mim
e pedras dispersos
somando um canto de alegria
à dor no peito

à loucura, à deriva
a vida
é mesmo assim

3 de janeiro de 2013

(um beijo não é nada)

Sejamos sinceros: alguma coisa aconteceu na multidão.
Alguma coisa aconteceu e éramos uma multidão.
Nós dois, gigantes um do outro.

Devora-me eu digo, devora-me tu dizes.
Dizes assim, assim.
E subitamente o mundo fica vazio com a presença de dois gigantes sozinhos no não-mundo deles mesmos.

Ficamos mudos.
Nem os lábios se tocando fazem o mínimo dos sons.
A verdade nua e molhada da saliva não traz desejo de expressão que saia da boca: permanece ali.

E somos abençoados por estarmos submersos nas nossas próprias falhas.
Dois mundanos, as barbas ralas
Dois diamantes sem brilho, brutos e grossos
Cheios de vontade de abrir os olhos e perceber o desmundo ao redor na hora do beijo nosso –
O que acontece quando estamos aqui?

E o que acontece depois daquilo que vimos por dentro
Ainda um tanto molhados, suados e nervosos
É a verdade absoluta de que o mundo ainda existe igual
E cheio de inquietações

* Verão, 2012/2013.