14 de novembro de 2012

Ritual noturno

Você que se perdeu em algum canto
de alguma de nossas esquinas
quando encontrar a minha entrada 
evite-a ignore-a pule fora por favor
que eu aqui farei o mesmo

A derrota é nossa, nós já sabemos
mas não a sofreremos juntos.
nós que nos amamos juntos e contentes
não esperaremos pelo pôr do sol
não trocaremos mais nossos lençóis sujos de amor

E ao fim de cada tarde a noite vindo
nos dirigiremos cada um a sua cama vazia
um território individual e macio 
o suficiente para suprir a necessidade
do sujeito que falta

E não cantaremos e não rezaremos
nem ao deus nem ao diabo, dormiremos apenas.
sem o calor que sai da boca e encerra na nuca
sem o cordão que nos amarra nos aperta invisível
sem vitória gemida estalos agonias

Sozinhos horrorizando a companhia do dia
que vive e - maldito - nasce todos os dias
insistindo na promessa fula da cura temporal
enquanto a morte, a verdadeira cura, a vacina
tem seu dia ainda desconhecido por nós