24 de outubro de 2012

Há tanta coisa que foi deixada para trás, presa nos meus calcanhares como grilhões – mas são leves e bonitos. 
E você que tem a chave, e poderia me libertar da leveza e da beleza que é te carregar comigo: não o faça.
É olhando para trás que eu olho para frente.
E um dia, te juro, giro forte (porque sei girar) e todo esse peso que trago nos pés rebenta, e você vai parar ainda que cambaleando, na minha frente.
E eu te direi cresci.
Os olhos deixaram de ser tristes para serem atentos, inquietos.
Pra você ver como o tempo passa, meu bem.
Não cura: adapta.
E eu te direi que sou todo adaptável.
E que os dias foram lindos. E que me habitaram mais do que nunca. E que me acordaram de manhã. E que me pagaram um café. E que me expulsaram de um quarto. E que me pediram em casamento. E que as dores na coluna continuam. E que meus movimentos se aperfeiçoaram.
E que acima de tudo o ponto final é o começo.
E colocaremos um ponto final em tudo o que vivemos.
E o começo de tudo o que vier depois será nós dois.
Outra vez.

13 de outubro de 2012

True north

I never needed you as much as I need now. Where is my true north on earth? Where is my soulmate to share my deepest thoughts and all my love? Life is playing tricks on me. And you... you are far away to help me pass through this game. Sometimes, I'm not better than myself. Sometimes, all I need is you shouting at me. 

And then, holding me tight.

9 de outubro de 2012

Toda vez que falo de ti
Meus lábios passeiam pelo teu corpo
Sal e beijos
Gosto e desejo

Meus lábios ainda falam de ti

1 de outubro de 2012

O sábio

Deus está no mar, ele disse. E Deus tinha estado no seu pensamento por dias e dias. E os dias passando. E não havia nada que insinuasse um retorno.
Embora Outubro tenha começado bem. Outro Outubro. Sobrevivera, afinal, a si mesmo, pensou. Penou, pesou, mas sobretudo vivia. 
Que a vida era difícil, sempre soubera.
Rise and fall.
Que o ser humano é insuficiente, também. Que a morte existe. Que a dor acrescenta. Que a alma chora. Que os olhos às vezes saltam das órbitas. Que luz e sombra são amigas. Que Deus é grande.
Que o vazio preenche.
Mas ainda assim mantinha-se inquieto. Tinha uns olhos nervosos, a boca seca. O peito e a barriga gelando vez e outra. Porque amor não acabava nunca. Porque ainda sangrava aquele último Outubro. Porque conhecera paixão cedo demais.
E a vida pra viver? Vivia. E o amor pra sofrer? Sorria.
Aconteceu:
Enquanto o sal do mar escorria, porque queria ser tocado novamente por gotas frias. Logo ele, tão seco e trincado:
A condição de tristeza como consequência de um erro podia e devia ser também motivo de profunda alegria. Ainda que não houvesse retorno.
“Eu vivo.”
E assim é.