8 de junho de 2012

Começou uma ventania. Ouço alguns balanços rangerem. As plantas do apartamento estão agitadas. Os pregadores no varal balançam de um lado para o outro. Temos um quintal. O muro amarelo faz uma divisa interessante com o céu carregado - duas vezes noite, tamanha a escuridão das nuvens. A iluminação vem da varandinha. É fraca. O mundo está prestes a descarregar toda sua densidade. Também vai se tornar fraco.
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Estou sentado numa cadeira azul. Minha garganta queima um pouco quando a fumaça entra, de forma que me acostumei a sempre ter do lado um copo com água gelada. A verdade é que nunca me habituei ao cigarro, mas alguma coisa precisava ser eleita como forma de preencher certo vazio (de alma?) que tem me afetado – nada mais óbvio. Aos clichês sou completamente habituado.
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Me veio uma agoniazinha de azul.
Acho que estou farto.


* Não estou mais permitindo comentários no blog. Pensando seriamente - infelizmente - em fechá-lo.