11 de abril de 2012

------------------------------------------------- Dê-me um corredor deserto, uma cadeira velha, um bom livro. Uma vez ou outra um rosto bonito passando. Um banheiro vazio. Muita calma, algumas poucas aventuras, alguns gritos. Dê-me de vez em quando uma mordida no ombro, um sussurro no ouvido. Um beijo molhado, mas depois me deixe um pouco sozinho. Dê-me uma caderneta e uma caneta fina. Deixe-me escrever simultaneamente um conto romântico e uma tragédia; dê-me as Erínias. Dê-me tempo para pensar. Um motivo para sentir ciúme, outro para sorrir. Um amigo para tarar. O pão de cada dia. Até mesmo uma discussão banal. Dê-me uma liberdade presa entre quatro paredes. Um perfume caro contido num vidrinho. Gargalhadas, caretas, veias saltando. Dê-me uma mão no ombro, se chorar. Dê-me algumas fumaças. Dê-me alguns perigos. Os garotos todos. Um grunhido.

Não me dê amor.
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