25 de outubro de 2011

Gota a gota - um mar

O botão de pausa que tanto me apetecia. Assim olhando, julgando, parecia fácil de acha-lo no outro. Ansiava por tê-lo tão localizável em mim também. O esquecimento, o esquecimento... Leva com o mar, leva. Tudo. Jogar sal no mar é muito mais vantajoso que coloca-lo num copo só com um pouco de água. No mar não há vestígios. E Deus, que me deu um copo de água, enquanto a você ele pareceu ter dado o mar... Um lar pros teus esquecimentos. Não altera mesmo o curso da vida: leva para o mar nossos momentos. Joga tudo, todo o sal.

***


E, subitamente, a sensação física das coisas que vivemos vai desaparecendo. Deitado um dia desses, fingindo te abraçar, notei ter me esquecido da textura da sua pele, me desesperei. Eu não vim ao mundo para ter as coisas que vivi sob uma redoma de vidro em que eu toco o vidro e só posso sentir sua superfície fria. Onde foi parar o gosto de sal? Onde foi parar o gosto do teu sal na minha boca? Escorrendo...
Assim como o tempo.
Saudade ainda grita por todos os poros, mas o amor escorre por eles também. E um dia acaba. 
Gota a gota, Deus vai me transformando num mar. E o teu sal vai se dissolvendo nele.