20 de outubro de 2010

Uma carta-poesia (ou sobre ser dois)

Meu amor,

Amo-te a todo minuto. Estranho começar uma carta assim, com algo tão forte, mas não vejo maneira melhor. É por isso que frases soltas me ocorrem nos momentos menos oportunos. Quando encontro-me no banho, quando estou sentado à mesa conversando  sobre as contas a pagar, quando estou cercado de amigos rindo sobre um assunto qualquer, quando acordo de madrugada cheio de sede de água e penso: na verdade eu tenho sede de você – e fico vermelho.
Você verá. Nos meus rascunhos, só há coisas sobre os olhos teus. As minhas frases carregam sempre um coração desenhado sem jeito, diria que até feio. É que é difícil controlar minhas mãos trêmulas só de pensar nos nossos beijos trêmulos. E há também os erros de português. Caso haja algum nesta carta que te escrevo, peço que me perdoe. É que quando te escrevo, sinto os arrepios causados por mim em ti e os de ti causados em mim, de forma que me descontrolo todo nas letras.
Parece bobeira, mas no exato momento em que estou contigo, já sinto saudades, coisa precoce. Imagina como fico então quando não estás aqui ao lado meu. Loucura. Coisa de apaixonado. Acontece que já passei desse estágio: paixão. Não... é coisa muito mais séria. E grave. Sinceramente?, não tenho culpa alguma nisso tudo. Se existe culpado, ah meu amor... esse alguém é você. Você por ser tão perfeito a ponto de me fazer gostar de teus defeitos (que se tornam facilmente em qualidades para mim). Você, por me fazer sorrir dos meus próprios medos. Seja o medo do escuro, seja o medo de te perder, seja o medo de não ser...
Mas tudo bem, eu te perdoo. Perdoo-te por me fazer te amar assim, tão depressa. E encerro esta carta-poesia, ou seja lá o que isso for, com um pedido: não se assuste com toda essa minha intensidade em amar. Eu amo difícil, mas uma vez que a porta se abre, eu amo inteiro. E assim você vai se tornando meu motivo de inspiração maior e melhor. Te amo nessa intensidade quase infantil, e justamente por isso, verdadeira.

Uma última reflexão:

Sou completamente leigo das coisas do amor, sempre o considerei complexo demais para mim. Mas é que de uma coisa eu não sabia: tentava entendê-lo na minha individualidade no mundo, coisa besta. Para entender o amor é preciso ser dois.

Te amo ontem, hoje, agora e enquanto nossa eternidade durar.
De corpo, alma, mente e coração,

Gustavo Paiva.

2 de outubro de 2010

À mesa (embriagai-vos)

Dêem-me um copo cheio de álcool, alguns cigarros e muita luxúria. Estou farto do amor. Estou farto do perfume sufocantemente doce que ele tem. Ah, amor... amor reticente, é o que eu tenho. Nada concreto, um monte de continuações abandonadas, cheias de poeira que sufoca.
Sufoquem-me com o ar da verdade: que não vale a pena. Viver com o ideal maior de que amor é o que há é uma grande besteira, e se errar é humano eu sou o mais humano de todos.
Quero bebida forte, não para esquecer, mas para lembrar de tudo, de todos, dos rostos e das dores de todos os dias... nossos dias. Nossos dias que eram só meus, uma vez que você não existia, uma vez que você era minha cria, tão doce, querida, que cresceu veloz e se foi. Tanto carinho desperdiçado, tanto amor guardado, tantas vontades por saciar.
Hoje eu não queria falar de amor. É que eu precisava de um tempo longe desse bicho que não sei lidar. Eu queria me fechar entre quatro paredes invisíveis formando um ciclo de egoísmo ao me redor, onde houvesse no teto apenas um ponto de luz para que eu pudesse me reconhecer no escuro, uma vez que a minha sanidade eu já não reconheço.
Eu queria me sentar à mesa e chorar como os bêbados infelizes que fazem da miséria da bebida sua alegria líquida. Cantar uma canção qualquer (nada de Chico, Bethânia ou Caetano) e fazer pessoas ao meu redor rirem de mim. Hoje eu queria ir a um motel qualquer com uma prostituta qualquer e fazer um programa qualquer, sem ter de imaginar teu rosto no ato. E depois sair de fininho, deixando apenas o dinheiro e um bilhete no criado-mudo: te amo, desconhecida. É que a ausência de alguém para amar, nos deixa carente desses agrados, desses cuidados.
Acima de tudo, hoje eu não queria existir. Ou então, ter o poder de te fazer sumir, sem deixar vestígios de existência parecida. Cortar o mal pela raiz ou te fazer sorrir. Ou, no mínimo, desistir sem rancor, encarar a perda.
Bem diziam (e ainda dizem) os mais velhos: querer nunca foi sinônimo de poder. Então, o que me resta, se não há nada de melhor reservado para mim?

- Garçom amigo, mais uma dose, por favor.

 Leitores, embriagai-vos. 

* Mesmo que haja erros de concordância, não sei, não me atentei a isso e sim ao que me ocorreu no momento. Depois de ler meu texto, procurei "embriagai-vos" do Baudelaire. Recomendo. É de deixar qualquer um meio tonto. Desculpem a demora, vai chegando fim do ano é uma loucura. Parte de minha ausência se deu pelos ensaios que VALERAM A PENA! Meu grupo passou no Youth America Grand Prix e ano que vem vamos competir em NYCITY! *-* É isso aí, vou postando aos poucos e passando no espaço de vocês assim que der, me aguardem! Amo vocês que me lêem. <3