23 de setembro de 2010

Sobre querências (amor quase consciente)

Ah, se eu pudesse te ter de verdade, com verdade de arrancar sangue. É que te quero tanto que me soa como somente o querer em si. Como um querer que, se concretizasse, se transformaria num desprezo tão causador de nojo! Talvez por admitir essa querência toda eu tenha nojo.
É um desejo de não sei o que somado com o que você é e mais aquilo que eu quero que você seja - e eu sei que posso te fazer ser o que eu quero: coisa minha. Eu te quero como quem quer a vida. Eu te quero como quem quer a morte. Eu te quero como quem não quer nada: coisa estática esse meu querer.
É que você em si, em ti, já é a movimentação do meu mundo: translação e rotação, de forma que meu ser fica pequeno diante de tanta... vida. E se te tivesse junto a mim, não saberia como ou o que fazer. E então eu te desprezo. E então eu te declaro.
Esta é a minha declaração, que funciona assim: exatamente por te querer eu não te quero mais. Meu querer se esgota no próprio querer. Exatamente porque na minha não querência que é querer eu já te tenho em todas as formas possíveis, brincando de inventar. Dessa forma, eu te tenho assim: do avesso, visceral, que é minha forma preferida de você, coisa louca.
Então, contente-se com meu olhar de falso desprezo direcionado todos os dias a você. Rejeição é minha declaração de amor. É a prova maior de que te quero pra sempre assim: só para olhar. Porque, ah, se eu pudesse te ter de verdade. E te teria tanto – e seria tanto - que soaria como possessão. E amor assim não deve ser amor.

* Desculpem a demora para tudo. Correria de faculdade e correria de ensaios. Domingo danço na seletiva do YAGP, estou muuuuuito nervoso, vamos ver no que dá. Beijos, amo vocês que me leem. (;

14 de setembro de 2010

A não continuação das coisas

Estranho pensar que te amo tanto, uma vez que desconheço essa coisa líquido-pegajosa que me parece ser o amor. Estranho, uma vez que também nunca te vi, desconhecido meu. Uma vez que nem sei ao menos o teu sexo. Deve ser essa necessidade toda de me apegar àquilo que me é impossível e inalcançável: minha mente? É que me parece loucura estar...
Entenda, eu estou sorrindo neste exato momento. E adivinhe o porquê. Acabo de imaginar aquela foto que tirei de ti, assim bem de pertinho. Você estava no sofá, sorrindo por algum motivo e eu disse: ei! Você se virou – ainda sorrindo – e CLIC, você saiu assim. Sorriso imaginário que...
É estranho porque exatamente agora eu te escrevo e ouço uma música que se chama Point Zéro. Parece até um aviso – nosso amor encontra-se no ponto zero, aquele em que ainda somos desconhecidos. Ah, mas eu te conheço tão bem. Deus ou seja lá quem for que controla o sensor desse meu player, você errou. Nosso amor já está quase arranjado. É determinado pela lei da minha vontade – e sim, eu tenho o controle de minhas vontades. Por enquanto eu simplesmente estou...
Dizem que me engano fácil e que isso pode ser perigoso. Insanidade de minha parte acreditar no invisível, amar no escuro? Talvez. Mas é que agora eu farei uma correção: amor não é líquido-pegajoso como disse lá em cima. Amor é... juro, não me perderei nos meu próprios argumentos, dê-me só mais um minuto para pensar, o amor é...
A não continuação das coisas. Falei que era questão de minuto, aí está: a não continuação das coisas. Não tem começo, não tem fim, não tem um meio, não tem o momento do amor. É até mais que estado de espírito, porque na verdade...
Amor não existe. Por isso não é digno de palavra. Por isso toda essa confusão causada nos mortais, ah os mortais que “amam” tão facilmente. Não é palavra, não é verbo, não é ação, não é objeto, não é mais nada. É simplesmente a não continuação das coisas...

Assim, desconhecido meu, eu não te amo. Eu simplesmente-
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9 de setembro de 2010

Seco (ou amor de libertação)

É que você parece estar seco. As palavras cortaram-no com tanta intensidade que sangrou. E era sangue seco - vindo da alma. É que você parece estar seco.
Aconteceu quando estavam sentados naquela biblioteca gigantesca. Tinha a impressão de que os livros saltariam das estantes a qualquer momento para atingi-los, feito avalanche. Era sempre uma aventura estar ali. Ele até teve um momento para realmente pensar, num relâmpago, em como seria um ataque de livros possessos sobre eles, livros assassinos. Eis o hábito – ou vício - de pensar coisas aleatórias nos momentos menos oportunos.
Seco. Não se lembrava de sua reação física, talvez inexpressiva. As palavras não saiam da cabeça: seco seco. Teve vontade de dizer: eu te amo, em resposta. Seco seco seco.
Sim, é verdade que há tempos sentia-se deslocado, como se seu corpo não estivesse em sintonia com a alma, algo anormal. Apesar disso, - e apesar de tanta coisa – sentia-se bem. Pela primeira vez amava sem sofrer, mesmo não tendo certeza da correspondência desse amor. Pouco importava: seu amor era livre, pela primeira vez na vida.
Mas fora julgado como coisa seca. Então confundiam o seu bem estar com frieza, aqueles tolos. Sua paz de sentimento, o amor sem cobranças, incomodava o próximo, alguns alguéns da sua rua, os amigos e agora também o amor da sua vida. É que você parece estar seco. Então era preciso sofrer para amar? Já havia passado dessa fase.
Precisava se posicionar, apesar da morte súbita da alma. Talvez aquilo, sim, o deixara seco. Seco por possivelmente ter esgotado o seu amor que era tão lindo.
Foi malandro na resposta, vingança: que eu posso estar seco, sim. Mas eu sei fazer poesia sem ter pra quem. Sei me virar com meus amores inventados, os sentimentos forjados. E acredite, eu sou muito feliz assim.
Precisava ir e foi. Foi seco. O amor havia sido destruído em seis palavras, estalo de compreensão. Estava mais do que claro que seu amor de natureza estranha não serviria. Porque amor para as pessoas comuns era sinônimo de aprisionamento de sentimentos.
Das coisas da vida que aprendera, a mais importante fora não esperar a compreensão de quem não quer compreender. Então, começou a trabalhar num amor melhor para inventar a si mesmo. Um que compreendesse sua “secura”. E que fosse no mínimo estranho o bastante para se ter prazer em amar. Amor que não exija essa reciprocidade doentia. Um amor de libertação.

2 de setembro de 2010

Sobre respostas (a criatura e eu)

Porque, meu amigo – posso te chamar amigo? – eu preciso dos significados das coisas. Entenda, eu já passei da fase dos encantamentos todos que as dúvidas causam. Agora eu preciso de verdades nuas. Vou te explicar melhor, assim: era uma vez eu.
Eu, – coisa de duas letras mesmo: eu. Tão pequeno quanto minha idade. Eu que me julgava o melhor do mundo, preso em minha própria liberdade inventada. Achava-me livre e no direito de amar a tudo e a todos. Amar amar amar – coisa burra essa de querer amar sem sentido. E pior, amor que trazia a seguinte condição: que eu sofresse.
Sejamos sinceros: há coisa mais bela e produtiva que o sofrimento? Meus melhores textos... talvez existisse uma finalidade para tanto desejo pela dor - a arte bem feita?
Eu era criatura que se encantava tão facilmente pelo mistério das coisas, pela dor do amor que não é amor. Acreditando que um dia o amor deixaria de ser dúvida, essa coisa sem forma. E agora é como seu eu soubesse do não entendimento absurdo que envolve todos os sentimentos maiores. Um estalo: então eu cresci?
Ah, é triste. Uma sensação de sei lá, os olhos abertos, olhando para o desejo de ter o que não se pode ter: as respostas. As mãos próximas daquilo que nos chama, mas - pobre de nós, não sabemos como tocar!
Então eu atingi o auge da minha sensibilidade e entendi que entendimento nenhum nos leva ao significado do amor? Os sentidos são essas dúvidas constantes? É que eu tinha esperanças e o sofrimento perdeu toda a sua beleza! Há uma saída? Então tudo o que há no mundo é finito? 
Porque eu cansei do velho jogo de adivinhas. Eu preciso desesperadamente das respostas, mesmo que sejam contrárias às minhas expectativas. Eu preciso sentir uma parcela de confiança em mim. Eu preciso que você se materialize. As dúvidas já não me encantam mais – elas me doem a alma. Você: você é finito? 

* 1,000 visitas! Estou tão FELIZ com o blog! Realizado! É tão bom compartilhar o que sinto com amigos, virtuais ou não. Quando digo "amo vocês que me leem" é com toda a sinceridade do mundo. Sempre tem aqueles que comentam sem ler, eu sei... a gente percebe pelo comentário. De qualquer forma, sei exatamente quem eu amo quando digo que amo. Obrigado, de coração. <3

** Esse é mais um texto em que eu dialogo com uma "criatura" inventada por mim. Funciona como meu psicólogo. Não sei... estou nessa vibe, coisa maluca, mas que não posso ignorar.