30 de julho de 2010

Toda estrela tem seu anjo

As palavras engasgam. Eu estou aqui sentado, 01:02 horas da manhã e já comecei tudo errado. Nem o tradicional desejo das 01:01 horas eu poderia fazer. A cabeça parece mero adereço da minha simples existência – ela flutua, ela gira – ela não está. O que está é a dor da tatuagem feita há meses atrás, a maldita estrela que é o símbolo do nosso amor. Nosso amor, nossa pequena peça de teatro: a estrela e o anjo.
Eu explico. Quando você era coisa minha, nosso amor foi selado da seguinte forma: você me abraçou forte. Assim, a tatuagem do seu ombro direito foi carimbada no meu ombro esquerdo, lembra? Era nossa identidade. Mas quando você se foi, a tatuagem foi arrancada do meu ombro, restando somente uma coisa-cicatriz. E o anjo.
Sou seu anjo porque te disse: toda estrela tem seu anjo. E é um pouco como ser mãe, eu diria. Aliás, amor tem tudo a ver com maternidade. Ama-se a cria, e a cria se vai, não é? Para o mundo. No meu caso, você (a estrela) foi brilhar no ombro de outro alguém. Meu amor encontrou um outro amor, coisa natural de se acontecer, e ao anjo restou a cicatriz que arde a cada beijo teu no amor que agora é teu.
E no meu céu sem estrela resta a confusão e a confissão de que ainda te amo. Nos falamos rapidamente há uns 20 minutos e pronto - sou um anjo triste. Anjo que perdeu sua estrela para o mundo e quando digo mundo, digo “o ombro esquerdo de um outro alguém”. Mas saiba: ele não é anjo. Ele é ser humano comum e um dia você perceberá isso. 
Eu sei, foi tudo erro meu. Erro de português. Deveria ter dito: toda estrela tem um anjo. Um. E agora, eu, o seu anjo, estou aqui tentando ser o seu anjo-mau, tentando te fazer sofrer pela minha ausência, mas não. Não saberia ser. Eu não saberia o que dizer, exceto: volta para o ombro meu. 

27 de julho de 2010

Criação (ou uma brincadeira)

Eu vou brincar de te inventar. Tu serás perfeito na minha imperfeição inventada. Eu te quero pessoa grande e inteira para te encher de certas intensidades, cada uma em cada ponto específico. Cada milímetro do teu corpo será elaborado pela minha mente, até as cicatrizes que serão de uma perfeição de assustar. 
Quero que tenhas uma pinta no canto esquerdo da boca e um olho mais fechado que o outro toda vez que sorrires.Também quero mínimos detalhes nas linhas da tua mão: elas serão grossas como se fossem artérias cheias do sangue da alma, feito água escorrendo veloz, agressiva, indicando o caminho do mar. Eu te quero numa cor estranha, que me deixaria em dúvida se tentasse explicá-la.
E te quero sem nome. Ou com todos os nomes do mundo para poder trocá-los a hora que quiser. Quero-te Maria, Mulher, João, José, quero-te Coisa, quero-te Estrela, Estela, quero-te Anjo Meu, Anjo Mau, quero-te Nada.
Quero que tu tenhas o poder aleatório de me fazer sorrir e chorar, sem que eu controle. Eu quero sofrer e ser amado, tudo ao mesmo tempo, como se esse fosse meu sonho a ser realizado: entender amor e sofrimento como uma coisa só, por mais que não sejam a mesma coisa!, eu sei que não são.
E quero que tenhas o controle total do meu ser até eu dizer chega. Este será o comando. Mas como criatura minha, sua perfeição será tão da minha essência que tenho certeza - este comando nunca será dado.

25 de julho de 2010

Nasceu agora

Eu, feito coisa errante nesse mundo, trago em mim uma única certeza: escrevo. Escrevo sombrio, gostando do efeito causado nas pessoas. Escrevo alegre, gostando do sorriso carimbado num rosto cansado. Escrevo intenso, gostando do arrepio sentido na alma de quem lê. Escrevo para mim como forma de entendimento de qualquer sensação, por mais que sensações não se familiarizem com entendimentos. Escrevo para ti, como forma de te fazer enxergar o mundo como nunca antes visto. Escrevo para Deus, para Zeus, para os anjos, para os monges. Escrevo também para os meus demônios, domesticados ou não. Escrevo com a certeza de que há nesse ato o sagrado, intocável, porém sentido pelo corpo, pela mente, pela alma, pela calma que se faz imediata. Escrevo para demonstrar todo o meu amor inventado em segundos, todo o meu ódio manifestado em menos segundos ainda. Escrevo e faço da palavra minha arma, para te ferir sem sangue. E escrevo para fazer de minhas palavras a tua casa, teu refúgio, tua fuga, teu sossego. Escrevo com a alma. Ou será que minha alma é que escreve por mim?

* Hoje, exatamente às 13:53, descobri que era DIA DO ESCRITOR. Na hora me veio um sorriso no rosto e um impulso, uma vontade louca de escrever. Não poderia deixar passar o dia sem nada. E o texto nasceu assim, praticamente cuspido. E verdadeiro. Feliz dia do ESCRITOR, estas criaturas abençoadas que dão um sentido maior e melhor à essa coisa que chamamos de vida. Beijos!

23 de julho de 2010

Pequeno e pragmático

Recolhendo um mundo de informações. Sou assim: capto as coisas como se eu tivesse antenas. Mas o quê? Um tudo que você puder me oferecer – mesmo inconscientemente, as pessoas sempre me oferecem um material vasto.
Eu trabalho. Jogo tudo num processador biônico que é rápido. Depois, horas a fio de análise. Eu dispenso horas do meu dia na análise, o fator principal. Então o resultado final é sua alma. Assim, feito livro a ser lido – eu leio.
Descubro tudo o que agrada, desagrada e até o seu indiferente. E a partir daí eu me decido: arriscar ou não arriscar? Não me permito mais errar.
Porque eu aprendi a ser máquina.

O Bailarino (by Miller Ezequiel)












Música;
O Corpo Fala,
Pede um passo pela vontade, pelo ódio, pelo óbvio.
Ritmo;
O Corpo responde;
Com raiva, fúria, cólera... rancor.
Movimento;
O Corpo agradece,
Com êxtase, suor, cansaço... alívio
e pede;

Um passo pelo tempo perdido,
Um passo pelas lágrimas,
Outro passo pela solidão e
Mais um passo pela vida.

Pede o corpo, o prazer;
Pede a mente, a força;
Implora para dançar mais...

Um passo pelas derrotas,
Um passo pelas vitórias,
Algum passo pela dor e pela tristeza,
Outro passo pelo amor,
E mais um passo por Vida até o fim da dança.......



Miller Ezequiel
06/07/2010



* Como está no título, esse lindo poema não é meu e sim de um grande artista, um grande amigo: o Sr. Miller, Rellim, Ezequiel... alma formada! Pessoa linda! Esse poema me emocionou muito, não pude deixar de postar. Ah, e sou eu na foto! *-* Créditos à Anne Karoline e Ana Roberta! Lindas! (: Espero que tenham gostado, beijos!

18 de julho de 2010

Deixo (assim, tão facilmente...)

Eu deixo você ir mesmo que não tenha pedido minha permissão, tudo bem. Deixo, porque sei que, mesmo que não mais, eu já estive presente no seu pré-sono. Eu sei... você se deitava e não dormia sem antes me pensar e me fazer sentir que me pensava – eu sentia. Deixo você ir por saber que você já me quis para sempre – e para sempre é sempre, mesmo que um sempre finito. Eu deixo, porque tenho certeza das verdades ditas por você, mesmo sabendo que eram verdades momentâneas. Você sabe que momentos assim são eternos. Deixo porque, pelas suas palavras, eu me fiz especial e pude acreditar no meu valor, mesmo que você tenha se revelado alguém incapaz de dar valor, como você mesmo disse. Deixo, porque sei que eu – e somente eu – fui capaz de te fazer dizer que era eu a pessoa que ia te trazer de volta para um mundo de sentimentos maiores, cheio de bobagens deliciosas. Eu deixo, porque sei que te abri a boca quando seus olhos leram minhas primeiras letras direcionadas a alguém, e esse alguém era você. Deixo pela certeza que tenho de que te fiz arrepiar, suspirar, gemer, gritar, intensificar os seus olhos de mar quando seus lábios eram tocados pelos meus. Eu deixo, então, você ir, porque sei que apesar do seu tanto faz, eu tanto fiz na sua vida, que ainda lhe será insuportável a ideia do erro de ter me deixado ir assim, tão facilmente...

(Domingo, 28 de Março de 2010.)

* Postando textos antigos... estou um pouco cansado das coisas do coração. Engana-se muito facilmente, os sentidos... as vontades... ainda escreverei sobre isso. Beijos!

13 de julho de 2010

Paro de ser (14/03/2010)

Paro de ser. Já não me aguento mais, minha pele não aguenta minha força – rasga a qualquer momento. É intensidade demais, é amor (próprio) demais. É uma mistura de raças e mentes aqui dentro que embaralha a cabeça.
Não quero mais ter que ouvir o nome de ninguém, nem o meu. Quero ser bicho sem nome – e bicho do mato. Eu quero correr mais e mais para o infinito de qualquer lugar, só não posso ficar em mim. Não me suporto.
E chega. Chega de me dizer o que fazer. Não obedeço nem a mim, porque haveria de te obedecer? Quero fugir e permanecer feito estátua. A chuva caindo sem balançar um fio de cabelo. Eu escorro por toda a minha pele e o que fica é minha única essência que não pensa, não fala, não pesa, não sente – é.
E assim eu posso escutar um criador qualquer, importante ou não, mas que se faz presente mesmo sem ser visto: a alma do mundo.
Sim, sim, quero abraçar o mundo. Mas tem que estar vazio. Tem que ser eu e a matéria de mundo. Meu mundo, lugar meu, só meu.

* Texto antigo! Só postei agora porque não era o momento, não em Março. Talvez porque na época em que escrevi esse "parar de ser" era só uma vontade sem fundamentos, uma fuga. Hoje não - é exatamente o que quero. Hoje. Amanhã é outro dia...

9 de julho de 2010

Modernismo de sensações (racional)

Hoje serei racional e o mais direto que minha alma me permitir. Não quero fazer poesia. Hoje estou aqui pra falar daquilo que está me incomodando há um tempo já, que me decepciona: esse amor fácil que corre na boca dos... ingênuos? Perdoem-me, mas é até risível.
Ah, a ingenuidade é uma característica bonita, não é? Chega a ser fofo. Chega a ser quase irresistível. Mas sejamos claros: confundir ingenuidade com burrice é a coisa mais ridícula que pode acontecer. Por que estou falando isso? Porque me cansa. É patético. É triste de se ver.
Como, meu Deus, como alguém pode ter tanta certeza de um amor em tão pouco tempo? Ah, meu amor, você é minha razão de viver! Não consigo, não posso viver sem você. Se respiro é por ti! E somente por ti! Mas como diz a música: Oh, how cute! A ignorância é uma benção!
Não sou hipócrita. Não digo que é impossível que o amor nos atinja de tal forma que em tão pouco tempo não possamos amar. Até eu já disse a maioria das coisas românticas e fofas que todo apaixonado diz. Mas vocês sabem do que estou falando, não sabem? Ah, sabem. Estou falando daquela paixão infantil que os burros, (ops) quer dizer, os ‘ingênuos’ confundem com amor. E que está mais comum do que imaginamos hoje em dia.
Ah, eu te amo! Para o inferno com esse amor de brinquedo! Amor não é digno de palavra. Amor não é digno dessas paixões infantis! Amor não é digno de que seja dito sem verdade. Eu que já passei por tanta coisa em tão pouco tempo e nem sei se amei! Enquanto uns e outros, incapazes de entender um sentimento maior que afeto, saem por aí dizendo que amam.
Então esta é a nova geração? É a nova moda? Para o diabo com esse falso modernismo de sensações! Eu quero é ser careta! Eu quero é ser um velho! Eu quero é um amor de verdade, que preencha todas as letras, sílabas e espaços da frase mais desperdiçada do mundo atual: “eu te amo”.

6 de julho de 2010

Novos impulsos

Eu quero o impulso novo: beirar o precipício, estar à borda, no limite da palavra ser. O ser de existência completa e de sangue que corre nas veias da vida por caminhos mais diversos e dispersos possíveis – sem rumo.
Ser um pouco de tudo, uma brincadeira, um improviso. Ou talvez só uma vontade louca de soltar o grito preso da alma - a boca aberta que é o caminho da palavra que liberta.
E também ser confusão, de períodos sem cor para que seja necessário buscar pela essência nova das coisas. As coisas do escuro, que se escondem, se perdem, morrem e renascem novas para que eu as encontre intensas, inteiras – impulso de novidade.
E quero ter várias caras, partes, artes, vontades, maldades, feitios e graças. Barulho, silêncio, momentos para não pensar.
Ser metade aqui e metade ali.
E quero mesmo é ser regido pelo impulso da minha arte, de minhas vontades, da novidade de querer sempre mais.

* Levemente inspirado pelo Alê, bailarino também, leitor, amigo! Escrevi há um tempinho já. Até cheguei a postar, mas logo excluí, não sei, intuição disse que ainda não era hora. Enfim, isso é viver, isso é dançar (por mais que não esteja explícito no texto). Tudo se trata de sensações. Beijos! (: 

4 de julho de 2010

Reticente, talvez

Estou tão confuso. Estou tão sem rumo. Estou mergulhado num eterno nada. Um nada elástico e escuro. Eu vejo tua mão surgindo feito luz para me resgatar. Mas é tão difícil alcançá-la. Não consigo, não posso. Você está longe, mas não o suficiente. Você está perto, mas não o suficiente. Você está.
Minha movimentação é fraca, quase imperceptível. E estou assim por que estou machucado. Eu que me movimentava todo diante do amor e era sempre o alvo de sua força bruta, força que machuca pra não ter mais cura possível. É tanta dor que não há mais nem meia cura, não há tentativas.
Eu não quero mais nada. Eu não posso mais nada. Eu quero é me agarrar a todos os clichês imagináveis do mundo e os vestir feito segunda pele. Uma proteção. Seja a dor, seja a falsa alegria, seja frase feita, seja você tatuado em preto e branco e uma frase de amor eterno.
Eu sei do que preciso. Preciso de você aqui ou de você bem longe. Preciso do oito ou do oitenta. Preciso do tudo ou nada. Preciso ouvir um eu te amo ou um eu te odeio. Não suporto mais meio termos. Isso está me matando...