30 de junho de 2010

Uma semana, uma estrela...

Uma semana. Tempo suficiente para conhecer alguém? Acho difícil. Mas sou a prova viva de que é tempo suficiente para usufruir de todos os sentimentos do mundo – e mais alguns inventados.
Uma semana, uma estrela, um beijo frio feito metal frio. Uma tatuagem. Um fetiche.
E um anjo.
Eu te disse assim:
- Toda estrela tem seu anjo.
Eu te disse assim:
- Você é a estrela desse meu céu, desse meu momento.
Eu te disse assim:
- Estarei sempre ao lado teu, feito a estrela tatuada em você.
E sem perceber, fui assim, permitindo. Permiti que você fosse tatuado em mim. Permiti apesar da dor que – você me prometeu – melhoraria no fim, em apenas uma semana. Uma semana. Eu fui esperando, sentindo tudo o que tinha direito. Usufruindo do leque de sentimentos que você me mostrava. Doía, mas era lindo!
E agora, já fez uma semana, meu amor. Você se foi, seu brilho se foi. Era o seu tempo máximo para brilhar, não era? Era não: é.
E sua tatuagem continua em mim. É uma estrela e ela não brilha. Mas arde feito fogo. Tudo bem, eu me acostumo fácil. Essa é uma de minhas qualidades.
Ah! e não se assuste se um dia você sentir que a sua arde também. Te explico: é porque a minha vai estar em chamas quando um outro alguém a estiver acariciando. Quando um outro alguém a estiver arranhando. Espero que você sinta. Tenho certeza que sim.

... mas toda estrela (ainda) tem seu anjo. Basta você querer.

14 de junho de 2010

Um processo

Acontece da seguinte forma:

Quando estou perdido, sem ter noção do meu lugar no espaço, na vida, no amor, frases me ocorrem. Anteriormente, eu as encarava como algo espiritual, divino, uma voz maior que me indicasse o caminho. Agora, exatamente por elas me confundirem um pouco mais do que deveriam, não consigo acreditar na divindade delas. Acredito, sim, que elas são traiçoeiras, malandras, um riso contido em cada letra. Como se quisessem me abalar. Algumas conseguem. Como...

Ama-me sem que eu saiba, assim, de surpresa...

Escrevi-a sem mesmo pensar no seu significado. Escrevi-a de alma. E pela primeira vez em toda minha vida de escritor experimental, o sentido só me veio muito depois. Horas depois. E assustei-me. Assustei-me com a dor da compreensão.
Amo a um desconhecido. Quem? Amo. Como? Amo. Quando? Amo. E sem mesmo conhecê-lo, peço-lhe que eu seja amado. Peço a esse amor a oportunidade de lhe fazer bem, de lhe fazer feliz, bem feliz.
Quem, meu Deus? É possível um amor assim: invisível? intocável? inimaginável? Pois não consigo sequer visualizá-lo!
Então, como alguém que recupera a memória de forma brusca, me vem a realidade: amor inventado, Gustavo... assim como todos os seus amores.