30 de maio de 2010

Acordei assim, faltando...

Falta-me muito. Acordei assim, faltando. A sensação é de suspensão, dispersão – sensação de falta mesmo, de não mais ter o que costumava estar ali, ao meu redor, sempre. Você percebe - no fundo, no fundo, procuro palavras que sejam belas para poetizar sobre essa falta toda. Talvez assim consiga algum valor sobre ela.
Mas falta é ausência. É um nada. Como achar um valor para o nada?
E chega a ser divino estar submerso no nada. É uma experiência única, plena, olha: posso até sorrir nesse eterno nada.
Acontece que me confundo fácil. Veja bem, perdi o fio que me ligava ao raciocínio. Estou circulando sem saber outro caminho. Estou assim: vazio. E não sei mais de meus desejos. Então eu desejo esta falta que me provoca o nada e que por si só é a representação do divino? Então a falta é um reencontro? Mas se é falta...
Não, preciso me organizar. Estou forjando meus sentimentos? Estou me perdendo intencionalmente? Estou querendo.
Ah, mas querer me dói a alma, e pensar já não me é reconfortante, e ser é um desafio que não me cabe.
Então eu paro de funcionar por alguns segundos. Fecho os olhos. Respiro pelos poros da alma. Eu disse da alma. O sangue circula pelas veias fracas dos meus pensamentos. A realidade me volta, eu a visualizo. E assim continuo meu dia aos poucos, mas ainda assim: faltando.

16 de maio de 2010

A um confessor

Tu me perguntas, eu respondo: meu momento é nada. Minhas vontades são escassas. Minha sombra e eu são seres completamente diferentes. Percebo que aos poucos vou fugindo de mim, como quem foge de mansinho, sem querer ser visto. Compreendes? A palavra é medo. E talvez seja o medo de encarar minha grandiosidade... ou minhas falhas? Talvez somente isso: medo. Reconhecer meu “querer” e ter a consciência de que o mesmo não possa ser “poder”. Até onde o querer é poder, me responda, tu que me escutas, tu, meu confessor, mesmo eu não sabendo quem tu és... Não sei quem és, não sei quem sou ou quem serei. Mas diga-me, até onde? Porque eu só sei o que fui: uma pessoa de sonhos lindos que foram se... despedaçando? E não, tu me dizes que não. Eu juro que tento lhe acreditar. Quem sabe desta forma algo de maior calor se manifeste em minha alma tão abalada pela mente que se faz doente por (idiota) vontade de sofrer. Juro! Tento lhe acreditar... É que sou assim... ah, o sofrimento se me faz tão belo diante dos olhos, dentro dos meus olhos... Dê-me sua mão, meu confessor, e me arraste para uma realidade mais bela, mais palpável, mais contemplativa de se viver. Quem sabe assim eu deixo de fugir de mim... mesmo que tu sejas apenas sombra para mim, salva-me. Voz, faça-se presente de corpo e alma para que eu possa te tocar e te sentir. E preencha meu momento de eterno nada num terno momento de prazer... prazer em simplesmente... ser.

* Um pouco dramático demais... não sei se gosto. Mas está aqui.

11 de maio de 2010

Amor à beira (20/03/2010)

Quero o amor à beira, que transborda o copo da bebida amarga: amor líquido. O arrepio que eriça os pêlos da nuca numa intensidade cruel, intensidade de dor e grito. Alma gritando de gosto pela dor do amor, que é flor, que é cor, que é. Amor que explode com a palavra, que não cabe, que não pode. Aquele que deixa as pessoas ao redor horrorizadas, vermelhas da vergonha de nunca terem tido coisa parecida. Amor vermelho de sangue – sangue mesmo! – nosso. E que aguenta, dá conta, cujo único medo é o de não amar como se deve. A carne roçando, o peito arfante, a boca aberta com o grito contido do desejo que ultrapassa qualquer contato físico. É o desejo de ser o outro, de ter o outro, sem tomar posse. E amor que sente nas mãos o peso de sua valia, que é muito mais do que palavra pequena e que se realiza. Amor que ainda não tenho, mas que está por vir.

* Vou respondendo aos poucos os comentários dos posts anteriores... juro, vou arrumar tempo! -rs; grande beijo!

5 de maio de 2010

Grito

Porque há o direito ao grito. Então eu grito. (Clarice Lispector)

Se o tenho, grito. Grito, sim.
Grito que sai dos poros da alma machucada, doída de tanto gritar.
É tanto grito que, durante o grito, me esqueço do motivo inicial do próprio grito.

Grito de liberdade?



Grito de amor?
Grito de dor, sofrimento, desespero?
Grito de prazer?
Grito de ódio mortal?
Grito de não poder mais gritar?

Eu grito a verdade.
A minha maior verdade.
E minha maior verdade é esta: eu vivo.

E viver é um grito.

*Há um tempãooo queria escrever sobre esse "grito" que Clarice fala. Mas nunca havia entendido bem que raio de grito era esse. Grande erro, não? querer "entender" Clarice, uma vez que a mesma diz que não interessa o entendimento sobre ela, e sim o "sentir". E hoje acordei com vontade de gritar a vida. E como há o direito ao grito, eu grito.
**Que saudade de vocês! Vocês já devem estar cansados de minhas desculpas pela demora para postar. Mas, convenhamos: curso pré-vestibular é #tenso! Além disso, tô dançando feito um louco, todos os dias, mesmo machucado! -rs; E o pior de tudo é não ter tempo para ler as coisas lindíssimas que vocês escrevem! Mas, prometo, farei o (im)possível para dar conta.