25 de março de 2010

Em Tempos De Essência (Ainda) Presente

Aviso: se acaso o motivo de minha escrita estiver lendo, que fique bem claro: não é provocação, nem tentativa de qualquer coisa. É reconhecimento de tudo que aconteceu e que eu não podia ignorar. Escrever alivia.

Estou deitado, mas não consigo fechar os olhos. Também não posso levantar por medo de encarar o espelho que fica bem na parede oposta à minha cama: tenho vergonha de mim mesmo. Eu tenho pena de minha imagem pálida – e raiva. Pois a culpa é tua. Tenho vergonha da minha alma que agora está gelada. Eu sinto meu corpo frio e meu coração se encolhendo – ele quer sumir pra não ter que dar satisfações à minha mente que tenta compreender, sem descanso, mas também sem vontade de continuar.
Quero ser máquina e achar o botão que desliga tudo: alma, coração, mãos. Mãos que se encaixavam perfeitamente nas suas, não era o que dizia a música? Não me lembro, era tanta música! Será que consigo ouvi-las novamente? Nem tentei, não sei se devo. No silêncio já me martirizo tanto.
Sem você é difícil, mas não era para ser. Sei que deve ser muito pra você; daria conta? A ideia de tentar reverter a situação ao meu favor é idiota, tentando me convencer de que sou mais. Mas eu tento. E o jeito é ficar repetindo, repetindo, repetindo – até o disco parar.
Mas não sou hipócrita. Eu te agradeço pelo infinito de coisas boas que me proporcionou, me fazer conhecer o seu mundo. E é uma pena que não tenha conhecido o meu. Sim, eu tinha um tudo pra te mostrar. Eu ainda tenho. Pensando assim, fica até mais fácil imaginar que foi você quem saiu perdendo.
Eu costumava te chamar de essência. E assim continua sendo. Você ainda será o motivo da minha inspiração por um bom tempo. Minha inspiração provém de gente. Só não digo que será uma inspiração negativa porque isso não existe. E enquanto sua essência estiver ao meu redor, vou inspirá-la e transformá-la em poesia. Inspiração e expiração. Respirar. É o que me resta.

21 de março de 2010

Tudo Tem Cor (21 de Fevereiro de 2010)

Escrevi este texto no dia 21 de Fevereiro de 2010. O dia anterior tinha sido mágico. Auge da novidade de estar com alguém, um amor que ia crescendo a cada dia. Amor, sim. Hoje, 21 de março de 2010, mexendo nos meus textos, o achei. Confesso que num primeiro momento ri de todo esse romantismo infantil. Mas é impossível não confirmar cada palavra dita como verdadeira (ainda). É uma pena que tudo tenha se acabado. É uma pena.

Tudo tem cor. Ou melhor, tudo tem a tua cor. A nossa cor.

A gente diz assim, todos esses clichês, todo esse colorido. Mas alguém, por favor, me prove a não-verdade dos clichês. É tudo verdade e dá medo. Um medo assim de sei lá.
Uma vez eu te disse que sou um monte de “sei lá”. E que esse "monte" viraria poesia.
Pois bem, não consigo mais – você é minha poesia. Não consigo mais poetizar sobre outra coisa. Não que você tenha me fechado as outras portas da inspiração. Mas acontece que tudo que quero existe em você.
Sabia que as linhas do teu corpo são como versos meus? São todos os versos lindos que ainda vou lhe dizer. São minhas vontades estampadas na tua pele. Você é meu maior desejo.
E como dizia, tudo tem cor, várias cores. Gosto de imaginá-las como nossos momentos. Essa tua capacidade de dosar tudo da forma mais perfeita, correta. 
Então, agradeço-te por ser minha cor, minha poesia, minha melhor parte, minha preciosidade.
Eu te amo com uma intensidade que queima minha pele, mas que preserva minha alma intacta. Em toda essa magnitude do amor, o que interessa é a alma. Coração, não. Não se ama com o coração: ama-se com a alma. E é tanto amor que minha alma agora é tua.

18 de março de 2010

Um Pouco De Confusão (E Uma Auto-Afirmação)

Tanta coisa, tanta falta, tanto medo. Não sei nem por onde começar. Na verdade, quero é terminar. Terminar a espera, terminar a dor; ser neutro. 
Eu canso fácil desse tudo que me cerca - e eu faço parte de tudo. Talvez eu seja todo o mundo. E talvez o maior desejo de um tudo é ser um nada mesmo. 
Tantas ocupações forçadas pra tentar esquecer... esquecer o quê? de ser (ou seria de você? já nem me lembro..). Eterno jogo de fingir. 
- Chega - eu digo. Meu mantra.
 Coisas a pensar e eu penso num você que não se importa, num você que deveria ser apenas "um você qualquer" e não você. Que provoca confusão até nas minhas palavras. Não era pra ter esse poder. Não sou coisa dominada. Tenho o controle.
Então, chega. 

* Sem tempo pra postar com frequência e, além disso, postando a primeira coisa que me ocorre. Prefiro assim: escrita crua, sentimento puro. Obrigado por me aguentarem, rs.

13 de março de 2010

Reconhecimentos

Quero ser 'bio'. (Clarice Lispector, in Água Viva)

Eu já nem me importo mais. Quero ser simples, quero minha escrita simples. Não tenho mais vontade de rimar. Eu nunca rimei nos meus textos, mas minha alma vivia de eterna rima, das complexas, das que tem leis. Era tudo tão interno que não fazia sentido. Eu me apeguei tanto a mim mesmo que me esqueci de minha imagem externa, que sou alguém no mundo. E que não sou insignificante. 
Sim, cheguei à conclusão de minha importância. Eu fui e sou e serei lembrado. E não estou sendo soberbo. É tudo reconhecimento. Na minha simplicidade eu atingi o divino. No meu recolhimento eu criei o amor. Amor de sangue? amor verdadeiro? amor de que? de quem? amor.
E apesar de tanta coisa, apesar de tantos "vocês" rimados em minha alma, eu consigo me olhar e garantir minha simplicidade que não deixa faltar nada que fosse necessário. Eu sou por ser assim, como quero, como preciso e não me engano. 
Minhas dúvidas não me confundem, não mais. Fiz tudo tão certo quanto deveria. E a ideia de que seguir novas influências e novas formas de vida estaria me alterando é um erro (não meu, seu). Não altera em nada - eu continuo sendo. Eu sou o que sempre fui - e mais: com bagagem nova.
Portanto, não existem regras. Não há uma linha certa a seguir. E quem quiser se arriscar em mim, que tenha consciência disso.

11 de março de 2010

Algumas Verdades (Momentâneas)

Sei que muitos não vão gostar ou concordar com o que está escrito abaixo. Mas deixo bem claro: são verdades momentâneas que seria inútil da minha parte ignorar.

O amor é uma merda. Rompe com a alma da gente. É bicho feio, não tem olhos. E nem por isso é cego. O amor enxerga tudo, até sei lá o quê. Amor devia ser proibido de se dizer, não é digno de palavra. Palavra é muito para o amor. E não porque palavra é palavra maior. É porque amor não presta. O amor é um disfarce do amor – amor de verdade dá medo e a gente só reconhece depois. Amor é bruxo, macumbeiro, ateu, tudo ao mesmo tempo. Crê na descrença. O amor tem várias faces, mas somente uma verdadeira: o falso amor. Porque amor é falsidade. Amor é diferente de amar. Amar é, amor não é. Amar assusta mais do que o próprio amor, sendo que deveria ser exatamente o contrário. O amor só serve pra sugar – é quase um ovóide. Só não é ovóide completo porque também não é digno disso. E o pior de tudo: o amor não causa raiva, não causa ódio. Amor deixa a gente sem energia pra viver, a gente vai seguindo. E quando percebemos viramos matéria de ódio, de raiva, não como causa do amor, mas simplesmente como apelo. É preciso odiar o amor bem no começo, quando ele ainda tem um rosto. Conforme vai perdendo suas características, olhos, boca, nariz, você se perde nele – ou ele te perde e te prende. É preciso odiá-lo no começo, entenda, é preciso odiá-lo e não ignorá-lo. O amor não é contraditório – ele é claro, tão claro que dá dor de cabeça. E depois do seu efeito total, depois da matéria restante que é a não querência de mais nada, a falta de energia, o ódio restante como apelo, ele morre e foge do túmulo: um buraco enorme e vazio no peito da gente.

8 de março de 2010

Branco

Quero tudo branco feito página nova. Como alma branca. A alma é branca. E prefere continuar branca. Não gosta que a rascunhem, não quer ser preenchida. Assim garante que lágrima nenhuma a alcance.
Quero tudo branco. Branco pra enxergar, iluminar qualquer coisa que esteja escondida, qualquer coisa que quer ser vista e não pode. Nunca me escondi de ninguém, por que iria me esconder de mim?
Quero mente branca, limpa e aberta. Agora vai ter que ser assim.
Que tudo seja branco, alma branca, coração branco, ideia branca. Vontade branca. O mundo vai me ouvir branco. Não guardo mais nada pra mim.
Mais uma vez venho aqui de mãos vazias. Mas agora é pra dar satisfações, talvez. Peço paciência aos que me leem com frequência. E também aos novos leitores. 
Ontem passei meu tempo todo escrevendo, escrevendo feito um louco. Uma surpresa para mim mesmo a cada coisa escrita. Mas não é justo compartilhar com vocês, não agora. Não nesse momento. Não seria justo comigo mesmo. Eu preciso de um tempo. Talvez cinco minutos, talvez algumas horas, um dia ou dias, um momento. 
Enquanto isso, vou me deliciando com cada coisa linda que vocês escrevem. Obrigado! (: 

6 de março de 2010

Fragmentos (Ou Uma Avaliação)

[...] Estou aqui fora tentando ser criativo. Pensei que houvesse um sofá. Tudo bem. Eu tento achar uma ponte que me ligue a você. Não tem sofá, não tem ponte. Não quero que entenda – e nem quero que sinta mais. Quero que avalieQuero que tente enxergar além da minha casca, mas não por um processo sensitivo. 
Eu me expresso por mim mesmo, por uma força minha. Eu me danço em minhas letras e isso se chama prazer. 
Quero que avalie (o quê?) qualquer coisa. Qualquer coisa de qualquer parte – não precisa ler/ser inteiro. Mas preciso que me digas depois.
-
Você percebe agora que não quero nada mais que viver? E o viver que coloco aqui não é o de poesia ou aquele viver que nos remete a uma bossa nova. É viver de sangue que eu quero. É colher toda a vida do mundo no meu (ser?) viver. Amo essa vida que me amedronta.
Eu tenho medo da essência que me chama, provoca e faz (me) ser. [...]

* Esse é mais um trecho daquele texto que venho escrevendo há um tempo já, Fragmentos. Como pediram para postar mais, aqui está. 
** Percebem que estou numa vibe "viver...", -rs.