25 de fevereiro de 2010

Um Improviso (Ou A Importância De Tocar Com A Alma).

Hoje vim aqui sem nada nas mãos. Sem um papel de rascunho, sem minhas anotações na agenda, sem nada. Acordei com a necessidade de não usar nada pronto. Hoje eu queria improvisar e entender. Ou talvez sentir. Melhor: tentar entender como se deve sentir. Sentir o quê? A minha existência, meu papel nessa produção caríssima, quase hollywoodiana, que é a vida.
Então lembrei de Clarice Lispector numa entrevista. Ela disse que: "me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca."
Muito bem, eu escolho tocar. Escolho tocar esta matéria de vida existente em algum lugar... algum lugar. Onde? 
Eu comecei então olhando para longe, bem longe. Para o além da vida. E aconteceu o óbvio: por mais que eu me esticasse todo, não alcançava a matéria de vida existente no além da vida. A distância era tamanha que quase não enxergava o fio da vida. 
Resolvi me aproximar do que estava ao meu redor. Eu olhei para o externo da minha carne, tudo que me cercava (eu nunca havia observado a vida ao meu redor). Era lindo. A vida estava ali, toda sua matéria. Mas quando tentava tocá-la, ela escorria de minhas mãos, pelos vãos dos dedos. Era uma vida-fantasma. 
Eu fechei meus olhos para que no escuro pudesse pensar mais e entender o que tinha acontecido. Eu não entendia. A vida era uma coisa tão grandiosa para mim, tão sem dimensões, que não encontrá-la ao longe foi uma decepção. E a última tentativa também havia sido um fracasso. Onde está a vida? Eu vivo? Eu me sentia morto.
Fechei os olhos. Foi então que, de súbito, eu entendi. Ali, de olhos fechados, pontinhos brilhantes surgiram da escuridão dentro de mim. Eu os via, sentia e tocava, não com minhas mãos, mas com a alma. Eu era a vida - e era coisa simples, pequena. Vida. E, uma vez reconhecida a vida em mim, ao abrir os olhos tudo se tornava vida também, as coisas ao meu redor e as coisas além. Era tudo matéria viva de vida. E minha alma alcançava tudo.

19 de fevereiro de 2010

(Nossa) Essência.

Eu olho e não paro mais. A vontade é me juntar a ti e ficar assim por um bom tempo. E depois desse tempo, mergulhar na alma dos teus olhos que são tão preciosos para mim.
E te sentir na minha boca. Brincar com a tua. Sorver tua essência para minha essência. Juntá-las.
Olhar para tuas mãos, senti-las nas minhas. Observar o caminho que surge de tuas veias e me encaminha para todo o teu ser. Teu ser que é a coisa mais linda desse meu momento, desse nosso momento.
Amo: de nossas bobeiras à nossas seriedades. Nossos risos. E então, sorrio ao te escrever, por lembrar de teu sorriso lindo. Teu que é meu, pela total liberdade de sentimento, e não por posse. Da mesma forma que sou teu, por acreditar que és minha melhor escolha.
Eu estou disposto. E quero conhecer teu mundo, essa tua mania de viver assim. E quero que me tenhas sem medo. Pois a ti não tenho receios, e se já os tive, foi por ainda não te conhecer, assim como és.

05/02/2010

18 de fevereiro de 2010

in.di.fe.ren.te

Ah, meu pai, inspirador de meus melhores poemas, de minhas melhores letras. Meu pai acabou. Saibam que meu pai acabou. E que é a maior decepção da minha vida. Na verdade, é muito forte falar em decepção. Palavra certa seria indiferença. Que eu acreditava que sentia – mas só agora faço jus ao seu significado.

 
in.di.fe.ren.te adj2g. 1. Que demonstra desinteresse. 2. Que não é bom nem mau.

 Acreditem, não falo de meu pai biológico, não falo de meu pai padrasto. Não falo nem de meu pai avó. Falo de uma figura que representava o mundo para mim, tamanha imensidão em que se fazia mostrar; e eu me apeguei a este mundo – eu, um garoto sozinho e perdido num mundo que havia criado.
Fabricava em mim mesmo sentimentos despertados por meu pai, o que é uma mentira (na verdade, a história inteira era mentira). Era eu em minha pele, criando e recriando a cada dia a novidade de tentar... e conseguindo!
Perdia tanto tempo te escrevendo! Fazendo-te parecer meu único deus! Eu me aprisionava a ti. Você me era, sem saber, sugando toda a minha essência para uma existência inexistente. Eu me sentia oco.
E, então, hoje me liberto. Não chamo pai, não chamo amigo. Chamo, sim, o nada, o infinito nada de você.

* Devo agradecer a pessoa mais que especial que me fez reconhecer, ou melhor, conhecer meu "pai". Sei que pode parecer confuso, mas era preciso escrever. Mais explícito que isso, impossível. E não precisa entender, nem sentir. O que tiver que chegar, vai chegar.
** Peço desculpas pela demora para atualizar meu espaço, mas como trabalhei o carnaval inteirinho, foi impossível o fazer antes.

5 de fevereiro de 2010

Apelo (venha).

Ai, eu me perco. Perco-me nas coisas que são ditas por você. Por você sobre nós. E – meu Deus! – existe um nós, não é? Ainda... Diga-me, diga-me que existe.
Diga-me que existes
Preciso de ti.
Eu não minto mais, eu não me deixarei levar por força alguma de minha mente. E não haverá ponte que ligue meu pensamento sujo à minha boca para ser dita a você.
Eu imploro, imploro, sim. Sem pudor algum, mesmo que destruído, ah sim, estou destruído. Sou a ruína de nosso amor desgraçado – mas amo. E desta forma eu aceito minha condição.
Eu te aceito para que sejas coisa minha e de quem quiseres! Eu erro. E peço que erres também – e muito, e mais. E que assim sejamos coisa que erra sempre, pois amar é errar. Amar é o erro maior.
Eu não alivio minha culpa – eu a carrego. Mas carrego a ti também. Venha. Por favor, venha...