28 de dezembro de 2010

A ponte

Estava apaixonada pelo simples fato de tê-lo visto passar e ter dito a si mesma: estou apaixonada. Foi ali, naquele instante que recebeu a condição do amor por um desconhecido e a aceitou de braços abertos. E como fosse um amor que tinha mesmo de acontecer, para sua sorte, não houve sofrimento. Em poucos dias soube que era um amor recíproco.
Das trocas de bilhetes não há necessidade de se contar, os apaixonados de plantão já a conhecem. Nem dos olhares e sorrisos tímidos antes do encontro oficial, - esse sim seria um pecado não narrar. Foi simples e sem diálogos (a não ser o dos olhares). Mas foi sufocantemente intenso.
Chegaram ao lugar do encontro que não merece descrição, pois em segundos eles mesmo criarão o lugar perfeito para o encontro, só deles.  Estavam ainda distantes, cada um num extremo do local. Ela tremia e ele se mantinha firme, embora o coração estivesse acelerado. Conforme foram se aproximando, aconteceu.
Seus olhos se encontraram tão firmemente que formaram uma ponte para facilitar o encontro físico dos dois, uma vez que as almas já estavam conectadas. Era uma ponte larga, de pedra e era somente deles. Ele deu um passo apenas, estendendo a mão. Ela se manteve imóvel.
Vem, ela ouviu os olhos do rapaz dizerem e teve um princípio de pânico. Era tudo insano: a ponte, o olhar, a imaginação. Mas os olhos do rapaz lhe sorriram: confie em mim.
Ela confiou e atravessou a ponte, a cabeça agora vazia de pensamentos, sensação estranha. Parou bem na sua frente e teve um súbito de e agora? Mas ele mais uma vez lhe sorriu – era simples.
Além dos olhos, outros membros dos corpos se encontraram. As bocas as mãos os braços os cabelos os pés as pernas os sexos. Todos numa tentativa de fusão desesperadora. Não havia o som de pássaros, as harpas, os clichês românticos. Eram a ponte, eles e o mundo.
Há de se dizer que somente depois do beijo é que puderam realmente se falar, digo com a boca. E que ficaram ali por muito tempo.
E é tudo o que se sabe.

* Este é um de meus textos mais antigos. Ou pelo menos a essência dele é antiga. Hoje pude lapidá-lo e deixá-lo mais maduro. Aproveito para dizer que o próximo post só sai ano que vem. Reservei algo bem bacana pra começar o ano bem. Acho que vocês vão gostar. Enfim... que venha 2011! Amo vocês que me lêem.

23 de dezembro de 2010

O corredor

Uma camada fina de calmaria azul. Ouvir o tiquetaquear lento do relógio que conta os minutos longe de você (muito bem aproveitados, diga-se de passagem). Sentir uma brisinha quente na testa, parecida com um beijo respeitoso. A estabilidade das coisas.
É assim quando o ciclo se fecha, como se, antes do próximo passo novo na vida, fosse preciso um período quase imóvel, sem fortes emoções. Um período um pouco causador de desespero também, eu diria, mas um desespero mais teórico que prático: há um monte de perguntas sem respostas. Eu tenho confusão dentro de mim, eu digo para Deus, mas ele continua mudo e barbudo, apenas olhando para mim com um sorriso torto na boca.
Acontece quando alguém se vai. Acontece porque você se foi. Na verdade você foi carinhosamente deixado de lado, com muito esforço, Deus sabe disso, para que você percebesse somente no final – deu certo. Afinal de contas, há um motivo para eu me orgulhar de mim mesmo. Foi tudo pensado, step by step, começando pelo processo de desapego das coisas materiais, pois você me era material e depois sumir de mansinho da sua vida, lhe causando um mínimo de surpresa (passageira).
 “Ciclo se fecha” significa também um “bocado de solidão por tempo indeterminado”. Período onde as lembranças dos terrores e amores passados são colocadas no baú dos esquecimentos. Como se alguém me empurrasse em direção ao fluxo da vida, eu vou passando pelo corredor das lembranças vigiado por Deus – passo por elas, as vivencio e em seguida as esqueço. Viram retratos num álbum empoeirado.
Vejam: eu estou no corredor e passo pela última lembrança que nele se encontra. O corredor não segue a ordem real dos fatos. Agora ele toma a forma daquele ponto de ônibus deserto, talvez nossa lembrança mais feliz. Eu tenho o olhar cansado do dia cansado, mas talvez esse tenha sido o único dia em que eu não me preocupei com o fato de que te perderia. Eram apenas os teus olhos verde-mar e o teu cabelo desbotado. Éramos extremamente egoístas quando se tratava de nós dois nesses segundos sublimes de uma simplicidade assustadora.
Eu atravessei o corredor inteiro sob o olhar do todo poderoso. Hoje eu consigo enxergar outros mares que não seja o mar dos teus olhos e consigo afagar outros cabelos. Talvez eu já soubesse do jogo perdido desde o start. A única lembrança restante é teu nome – que a partir de agora eu escrevo com letra minúscula. O baú dos esquecimentos encontra-se selado em algum lugar da minha vida. Agora sou eu, a calmaria azul e as confusões da solidão que enfrento sem medo. Vai ser minha companheira até que o próximo corredor se abra, o corredor dos novos amores.
Deus olha para mim lá de cima. Sei que, por mais que não queira demonstrar, ele está orgulhoso de mim. Eu o olho fixamente, como se quisesse desafiá-lo a sorrir e a dizer parabéns meu filho, parabéns por ter chegado ao fim do corredor. Como ele não diz nada, digo eu. Obrigado.

* Hoje o @marc_says me lembrou que dia 25 de Dezembro, além de ser aniversário de Jesus, é claro, é também ANIVERSÁRIO DO BLOG! Como pude me esquecer? UM ANO lindo, cheio de coisas boas! Portanto, dedico este post a todos os leitores, desde os mais antigos aos mais recentes. Obrigado pelo apoio, incentivo e carinho. Obrigado de coração! E que venha 2011!

17 de dezembro de 2010


O texto é de um vazio sem fim. Por isso o não-título dele.

E mais uma vez eu me volto a um nada qualquer de minha essência. O período onde nem frases soltas surgem como acalento de uma dor, seja ela qual for. Percebam, ultimamente tenho falado muito sobre coisa qualquer e nada sobre coisa concreta. É que me sinto preenchido por um vazio que tem peso, mas que não tem forma.
O que me assusta é o fato de, às vezes, aceitar esse vazio como condição natural. As coisas estão tão distantes de mim. As coisas do amor, as pessoas, as minhas querências. É como se eu sentisse entre a minha alma e a minha carne uma camada de ferro frio intransponível. Nada passa por ali: o sentimento que já tive continua armazenado no seu devido lugar e tudo que é novo está sendo impedido de entrar.
Mas é que é tudo tão banal. O novo que me aparece já é tão velho, batido, conhecido de outros tempos, de forma que prefiro o vazio que me preenche, o meu nada. Pelo menos é meu e só meu – e tem essência.
É isso, trata-se das essências. Estou na minha fase de intensidades. Eu preciso que tudo seja de tirar sangue. Se for amor, que seja daqueles de tirar sangue, se for desamor, que acabe comigo, mas que tenha sangue. A verdade é vermelha.
Os dias parados parecem domingo, e tenho vivido num domingo sem fim. Eu preciso de sangue, pois não sinto nem o meu correndo pelas veias. A palidez do amor mal feito, o sonho vivido às pressas, as obrigações que consomem meus dias têm me causado um caos de alma que me deixa tonto.
Eu preciso que algo cheio aconteça. Eu preciso da mão desconhecida que tanto seguro nos meus poemas e que simplesmente foi embora sem aviso. Eu preciso da criatura desperta. Eu preciso da coisa inteira, seja amor seja rancor. Eu preciso de você e não do seu reflexo no espelho. Eu preciso ser salvo do domingo.

* Domingos podem ser tediosos e "ocos" como diria Clarice. Este foi um desses. Escrever pra aliviar...
** 4,000 visitas! Tão FELIZ! Obrigado, de coração, a todos que leem. Amo vocês! E vocês me fazem cada vez mais amar escrever. MUITO OBRIGADO!

9 de dezembro de 2010

Expansão (ou sobre a felicidade)

Até não restar caminhos aonde eu pudesse expandir meus pensamentos. E como conseqüência expandir o corpo, a alma, a mente – crescer.  É que hoje eu aprendi a tocar a felicidade pela expansão de mim mesmo. Foi assim:
Eu acordei e percebi que faltava alguém ao meu lado, mas não era alguém específico. Tratava-se de uma alma boa que talvez eu nunca tive. E que fazia falta imensa. Era a alma que sabia acalentar os momentos de sangue e que, ah... tem sido tantos. Os momentos de choro que simplesmente são cortados na primeira lágrima. Eu nunca soube chorar. Eu nunca me permiti chorar por coisa pouca, e apesar de hoje reconhecer o orgulho como erro, ele já está arraigado em mim, fica tudo preso na alma. Talvez eu precisasse de alguém que me provocasse qualquer emoção de choro completo, por qualquer coisa.
Eu acordei de novo e não estava lá. “De novo” porque num primeiro momento eu fechei os olhos novamente para dar tempo de você chegar, me olhar dormindo, me dar um beijo na testa e se acomodar cuidadosamente ao meu lado. E mais cuidadosamente colocar teu braço ao meu redor. Eu esperei e não senti teu olhar, teu beijo, teu peso sobre a cama, teu braço. Abri os olhos e jurei que hoje eu aprenderia a ser feliz. Eu procuraria em todos os cantos da casa, da vida, a felicidade.
O dia foi longo. Por muitos momentos pensei que o juramento fosse ser em vão. Eu abri a gaveta onde guardei todas as lembranças de todos os momentos que mereciam ser lembrados. Mas momentos tão lindos, estes se transformaram em pedra, algo morto dentro da caixinha de madeira, momentos de felicidade finita, e ao abrir a caixa eu só me provoquei uma nostalgia tão causadora de sono... é tão cansativo abrir e fechar todas as cartas, todos os embrulhos amassados de presentes que já nem tenho mais. 
Então aconteceu: uma ira inesperada, um desejo por limpeza, um impulso de novidade. Sem dó eu joguei tudo para fora do quarto, da casa, da vida. Eu me faxinei das coisas materiais, não só da gaveta, mas de tudo que era um mofo sem fim de lembranças. Mudei a posição da cama para torná-la minha e não mais nossa. Pendurei um retrato meu no lugar vazio onde se encontrava nosso retrato há uns meses atrás. Mudei alguns móveis de lugar e sem olhar para trás saí de casa para um passeio.
Eu abri a porta da rua e senti o ar fresco que nem existia, por ser um dia de muito calor. Eu senti o ar provocado pela minha mente me tocar e me beijar e me vestir de toda a novidade que o mundo tem a me oferecer. E caminhei incansavelmente com a sensação de que o mundo era meu e de que eu era maior do que o mundo. Eu caminhei até não restar caminhos aonde eu pudesse expandir meus pensamentos, até zerar a alma. E quando voltei para casa, era tudo novo, já era lua nova, e tudo que "era" viver para mim, se transformou num "é". 

* 9 de Dezembro, aniversário de morte de Clarice Lispector. Ela que entendeu tão bem sobre a felicidade clandestina que é viver... sua alma continua viva nos livros e em nós. 

26 de novembro de 2010

Decidi que escreveria

Decidi que escreveria. Desta vez sem intuitos, sem vaidades. Simples, pragmático, algo meu e só meu e que não há de agradar ninguém. Na verdade, nunca fui de agradar ninguém. Se os leitores gostam de minhas letras deve-se mais pelas verdades que nelas existem do que pelos meus dons literários. Não é nada previamente formado. É tudo sangue, sujo, sem polimento. É de doer a alma de quem lê, e se o que escrevo enternece deve ser porque a dor agrada algumas pessoas.
Pois bem, decidi que escreveria. Hoje, agora, assim, coisa que nasce, mas com um único cuidado: que não fosse sobre você, o causador do desamor dos textos anteriores. Escrevo, escrevo, escrevo e nada acontece. A coisa toda não se desenvolve. Fico aqui procurando razões para escrever sobre qualquer coisa bonita deste mundo bonito. Mas bonito mesmo para mim é... Peço que me perdoem se, até o final desta composição, eu não me conter. É que faço voltas, procuro floreios e assuntos nos jornais, na revista velha do ano passado, no boletim da escola, na conta de luz – você. É sempre você. Tudo para que não seja sobre você. E agora escrevo feito água de tempestade. Arremesso letras molhadas no papel, mas ainda consigo ler o borrão: é você.
Estive pensando nas coisas da vida e, sinceramente? Eu não espero nada da vida. Aliás: eu espero O NADA da vida. E não posso querer nada. Descobri que querer é um pecado muito grande. E que há sim uma grande verdade no famoso “querer não é poder” que nossos pais nos diziam para coisas tão pequenas. Hoje observo que para todas as coisas deste mundo, devemos querer somente quando se é possível. Outra descoberta: sabemos quando é possível. Veja bem, eu sempre soube que você teria este fim. E quando queria você perto de mim para sempre, era estranho, soava como surrealismo agudo.
Grave o que me aconteceu agora, pois querendo me conter, já não me contive. Leio tudo novamente e percebo que você existe em cada linha. É você é você é você – a tentativa do meu não querer me faz querer a imensidão que é o nada de você. Exatamente por você não ter valor nenhum eu te quero mais – e tudo. Me deixou guloso. Você me fez sofrer e agora eu quero o mundo.

* Confuso. E só para constar: este texto não é para você. 

18 de novembro de 2010

Aleatoriedades (você)

O eu te amo cheio de floreios, os teus olhos fixos no mundo. Não, não olhavam para mim.
- Me disseram que fazemos um casal bonito de se ver...
Como um retrato num corredor cheio de retratos tortos na parede, o nosso era o único em que as pessoas paravam para apreciar, sempre com um sorriso no rosto. Coisa bonita de se ver – (e de se ter?) Mas nem no retrato o teu olhar era fixo. Olhava para um canto qualquer, um pedaço de além. Não sei o que, nem como, você é cheio de ar.
Nas aleatoriedades da vida eu encontrei você. Pudera você ser um boneco, manipulável, feito para mim para ser o que eu quiser. E hoje eu te quereria sem vida, fantoche triste, largado no canto da sala, no fundo do baú, na lata de lixo. Mas você é gente, e como gente, você precisa de mim. E mais ainda do que a uma gente qualquer. Porque tua luz só brilha se for por minha causa. Você só tem uma alma porque eu entreguei a minha a você. Do contrário, você seria oco...
O que me confunde, pois te acho cheio daquilo que me faz te amar tanto e sem medidas e sem pudores. Mesmo sabendo do nada que te habita e que é apenas disfarçado por algumas essências (poucas e minhas). Como o eu te amo todo enfeitado que você me diz nas manhãs de sono, mesmo sendo vazio, o meu ar se alegra pelo simples som da sua voz – eu tremo, eu fervo, eu sinto – eu temo.
O teu amor me causa o desamor. Eu estou cansado... mesmo que eu tenha dito que me amo mais do que a você. Você me faz dizer mentiras a mim mesmo e neste exato momento eu minto (já cansado), pensando que quando você ler meus poemas, uma luz qualquer vai te fazer enxergar que sou eu.
Sou eu, meu amor. Sou eu o teu melhor amor. Sou eu a melhor alma a te habitar. Sou eu a tua melhor escolha, se é que você é capaz de enxergar as outras escolhas diante do tudo de mim. Eu te imploro (talvez já desistindo): queira a mim e somente a mim. E se não quiser, se não souber ser feliz somente ao lado meu, vai doer, mas tudo bem. Eu nunca fui de dividir. E aos poucos eu recolho a minha alma diretamente da essência do teu ser e a coloco a disposição de outra aleatoriedade que pelo menos saiba o que quer.

* Tanto tempo sem postar e sem cuidar do blog. É triste, me dói... mas se faz necessário. Espetáculos começam hoje, que doideira! Torçam por mim! Quanto ao texto, é para a pessoa dos olhos verdes  que me fez rir, chorar e acima de tudo amar. Mesmo que tenha sido em vão, eu insisto e mudo a realidade: valeu a pena. Beijos! Amo vocês que me leem.

3 de novembro de 2010

Durante teu sono

O tédio me mandou te chamar. Sim, minha doce criatura inventada, parida, fruto da minha mente (insana). Ela clama por você novamente. Você esteve dormindo por todos esses dias, eu sei. Você esteve ali porque eu ordenei. É que meus dias estavam sendo preenchidos por outra carne – e alma, você sabe. Eu sentia falta de gente e você nunca me foi gente. E ontem, exatamente ontem à noite, voltando para casa, eu te reparei. Pela primeira vez em dias eu parei e te observei e você parecia ser gente.
Você estava exatamente onde eu havia te deixado, na mesma posição, a mesma respiração pausada e o semblante triste. Devia você sentir minha falta durante o sono? Não sei... talvez o único defeito de fabricação fosse esse. Quando te criei eu não fui capaz de criar também o domínio sobre seus pensamentos, de forma que fico agitado, tentando imaginar.
Mas isso não vem ao caso. Agora o que interessa é que estou me sentindo sozinho e seco. Novamente... novamente. É estranho pensar, uma vez que tenho amor para amar e assim ser amado in return. Uma vez que eu encontrei... uma criatura de verdade(?). Mas sinto tanto a sua falta. A sua companhia que se fazia pela ausência total de vida ao meu redor. Você que eu não sei quem é, mas que esteve comigo em todos os dias ruins. Por que diabos eu só consigo te ter nos dias ruins? Eu te quero agora que estou feliz – feliz?, acorde! Eu quero brincar de pecar porque com você eu sentiria o gosto do proibido sem realmente estar pecando, acorde! Oras, se você não existe... e eu existo, não há maldade neste erro, acorde!
Eis a incompatibilidade da coisa. Existência versus não-existência.  Como fazer para deixar de existir então, meu Deus? Poderia você realmente existir dentro do meu mundo? Ou poderia eu habitar o teu universo? Mas se eu não criei teu universo, egoísmo era tanto que não soube como fazer, só te fiz assim pra ser assim para mim e sempre assim. C R I A T U R A.
Eu que me acostume à sua não existência e me contente com o que existe para mim.

- Durma mais um pouco, meu bem.

* Eis que a criatura ocupa a minha mente novamente. Desculpem a demora, vida corrida, ensaios, arte e um pouco de amor mal resolvido. Não me esqueço de vocês que me lêem. 

20 de outubro de 2010

Uma carta-poesia (ou sobre ser dois)

Meu amor,

Amo-te a todo minuto. Estranho começar uma carta assim, com algo tão forte, mas não vejo maneira melhor. É por isso que frases soltas me ocorrem nos momentos menos oportunos. Quando encontro-me no banho, quando estou sentado à mesa conversando  sobre as contas a pagar, quando estou cercado de amigos rindo sobre um assunto qualquer, quando acordo de madrugada cheio de sede de água e penso: na verdade eu tenho sede de você – e fico vermelho.
Você verá. Nos meus rascunhos, só há coisas sobre os olhos teus. As minhas frases carregam sempre um coração desenhado sem jeito, diria que até feio. É que é difícil controlar minhas mãos trêmulas só de pensar nos nossos beijos trêmulos. E há também os erros de português. Caso haja algum nesta carta que te escrevo, peço que me perdoe. É que quando te escrevo, sinto os arrepios causados por mim em ti e os de ti causados em mim, de forma que me descontrolo todo nas letras.
Parece bobeira, mas no exato momento em que estou contigo, já sinto saudades, coisa precoce. Imagina como fico então quando não estás aqui ao lado meu. Loucura. Coisa de apaixonado. Acontece que já passei desse estágio: paixão. Não... é coisa muito mais séria. E grave. Sinceramente?, não tenho culpa alguma nisso tudo. Se existe culpado, ah meu amor... esse alguém é você. Você por ser tão perfeito a ponto de me fazer gostar de teus defeitos (que se tornam facilmente em qualidades para mim). Você, por me fazer sorrir dos meus próprios medos. Seja o medo do escuro, seja o medo de te perder, seja o medo de não ser...
Mas tudo bem, eu te perdoo. Perdoo-te por me fazer te amar assim, tão depressa. E encerro esta carta-poesia, ou seja lá o que isso for, com um pedido: não se assuste com toda essa minha intensidade em amar. Eu amo difícil, mas uma vez que a porta se abre, eu amo inteiro. E assim você vai se tornando meu motivo de inspiração maior e melhor. Te amo nessa intensidade quase infantil, e justamente por isso, verdadeira.

Uma última reflexão:

Sou completamente leigo das coisas do amor, sempre o considerei complexo demais para mim. Mas é que de uma coisa eu não sabia: tentava entendê-lo na minha individualidade no mundo, coisa besta. Para entender o amor é preciso ser dois.

Te amo ontem, hoje, agora e enquanto nossa eternidade durar.
De corpo, alma, mente e coração,

Gustavo Paiva.

2 de outubro de 2010

À mesa (embriagai-vos)

Dêem-me um copo cheio de álcool, alguns cigarros e muita luxúria. Estou farto do amor. Estou farto do perfume sufocantemente doce que ele tem. Ah, amor... amor reticente, é o que eu tenho. Nada concreto, um monte de continuações abandonadas, cheias de poeira que sufoca.
Sufoquem-me com o ar da verdade: que não vale a pena. Viver com o ideal maior de que amor é o que há é uma grande besteira, e se errar é humano eu sou o mais humano de todos.
Quero bebida forte, não para esquecer, mas para lembrar de tudo, de todos, dos rostos e das dores de todos os dias... nossos dias. Nossos dias que eram só meus, uma vez que você não existia, uma vez que você era minha cria, tão doce, querida, que cresceu veloz e se foi. Tanto carinho desperdiçado, tanto amor guardado, tantas vontades por saciar.
Hoje eu não queria falar de amor. É que eu precisava de um tempo longe desse bicho que não sei lidar. Eu queria me fechar entre quatro paredes invisíveis formando um ciclo de egoísmo ao me redor, onde houvesse no teto apenas um ponto de luz para que eu pudesse me reconhecer no escuro, uma vez que a minha sanidade eu já não reconheço.
Eu queria me sentar à mesa e chorar como os bêbados infelizes que fazem da miséria da bebida sua alegria líquida. Cantar uma canção qualquer (nada de Chico, Bethânia ou Caetano) e fazer pessoas ao meu redor rirem de mim. Hoje eu queria ir a um motel qualquer com uma prostituta qualquer e fazer um programa qualquer, sem ter de imaginar teu rosto no ato. E depois sair de fininho, deixando apenas o dinheiro e um bilhete no criado-mudo: te amo, desconhecida. É que a ausência de alguém para amar, nos deixa carente desses agrados, desses cuidados.
Acima de tudo, hoje eu não queria existir. Ou então, ter o poder de te fazer sumir, sem deixar vestígios de existência parecida. Cortar o mal pela raiz ou te fazer sorrir. Ou, no mínimo, desistir sem rancor, encarar a perda.
Bem diziam (e ainda dizem) os mais velhos: querer nunca foi sinônimo de poder. Então, o que me resta, se não há nada de melhor reservado para mim?

- Garçom amigo, mais uma dose, por favor.

 Leitores, embriagai-vos. 

* Mesmo que haja erros de concordância, não sei, não me atentei a isso e sim ao que me ocorreu no momento. Depois de ler meu texto, procurei "embriagai-vos" do Baudelaire. Recomendo. É de deixar qualquer um meio tonto. Desculpem a demora, vai chegando fim do ano é uma loucura. Parte de minha ausência se deu pelos ensaios que VALERAM A PENA! Meu grupo passou no Youth America Grand Prix e ano que vem vamos competir em NYCITY! *-* É isso aí, vou postando aos poucos e passando no espaço de vocês assim que der, me aguardem! Amo vocês que me lêem. <3

23 de setembro de 2010

Sobre querências (amor quase consciente)

Ah, se eu pudesse te ter de verdade, com verdade de arrancar sangue. É que te quero tanto que me soa como somente o querer em si. Como um querer que, se concretizasse, se transformaria num desprezo tão causador de nojo! Talvez por admitir essa querência toda eu tenha nojo.
É um desejo de não sei o que somado com o que você é e mais aquilo que eu quero que você seja - e eu sei que posso te fazer ser o que eu quero: coisa minha. Eu te quero como quem quer a vida. Eu te quero como quem quer a morte. Eu te quero como quem não quer nada: coisa estática esse meu querer.
É que você em si, em ti, já é a movimentação do meu mundo: translação e rotação, de forma que meu ser fica pequeno diante de tanta... vida. E se te tivesse junto a mim, não saberia como ou o que fazer. E então eu te desprezo. E então eu te declaro.
Esta é a minha declaração, que funciona assim: exatamente por te querer eu não te quero mais. Meu querer se esgota no próprio querer. Exatamente porque na minha não querência que é querer eu já te tenho em todas as formas possíveis, brincando de inventar. Dessa forma, eu te tenho assim: do avesso, visceral, que é minha forma preferida de você, coisa louca.
Então, contente-se com meu olhar de falso desprezo direcionado todos os dias a você. Rejeição é minha declaração de amor. É a prova maior de que te quero pra sempre assim: só para olhar. Porque, ah, se eu pudesse te ter de verdade. E te teria tanto – e seria tanto - que soaria como possessão. E amor assim não deve ser amor.

* Desculpem a demora para tudo. Correria de faculdade e correria de ensaios. Domingo danço na seletiva do YAGP, estou muuuuuito nervoso, vamos ver no que dá. Beijos, amo vocês que me leem. (;

14 de setembro de 2010

A não continuação das coisas

Estranho pensar que te amo tanto, uma vez que desconheço essa coisa líquido-pegajosa que me parece ser o amor. Estranho, uma vez que também nunca te vi, desconhecido meu. Uma vez que nem sei ao menos o teu sexo. Deve ser essa necessidade toda de me apegar àquilo que me é impossível e inalcançável: minha mente? É que me parece loucura estar...
Entenda, eu estou sorrindo neste exato momento. E adivinhe o porquê. Acabo de imaginar aquela foto que tirei de ti, assim bem de pertinho. Você estava no sofá, sorrindo por algum motivo e eu disse: ei! Você se virou – ainda sorrindo – e CLIC, você saiu assim. Sorriso imaginário que...
É estranho porque exatamente agora eu te escrevo e ouço uma música que se chama Point Zéro. Parece até um aviso – nosso amor encontra-se no ponto zero, aquele em que ainda somos desconhecidos. Ah, mas eu te conheço tão bem. Deus ou seja lá quem for que controla o sensor desse meu player, você errou. Nosso amor já está quase arranjado. É determinado pela lei da minha vontade – e sim, eu tenho o controle de minhas vontades. Por enquanto eu simplesmente estou...
Dizem que me engano fácil e que isso pode ser perigoso. Insanidade de minha parte acreditar no invisível, amar no escuro? Talvez. Mas é que agora eu farei uma correção: amor não é líquido-pegajoso como disse lá em cima. Amor é... juro, não me perderei nos meu próprios argumentos, dê-me só mais um minuto para pensar, o amor é...
A não continuação das coisas. Falei que era questão de minuto, aí está: a não continuação das coisas. Não tem começo, não tem fim, não tem um meio, não tem o momento do amor. É até mais que estado de espírito, porque na verdade...
Amor não existe. Por isso não é digno de palavra. Por isso toda essa confusão causada nos mortais, ah os mortais que “amam” tão facilmente. Não é palavra, não é verbo, não é ação, não é objeto, não é mais nada. É simplesmente a não continuação das coisas...

Assim, desconhecido meu, eu não te amo. Eu simplesmente-
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9 de setembro de 2010

Seco (ou amor de libertação)

É que você parece estar seco. As palavras cortaram-no com tanta intensidade que sangrou. E era sangue seco - vindo da alma. É que você parece estar seco.
Aconteceu quando estavam sentados naquela biblioteca gigantesca. Tinha a impressão de que os livros saltariam das estantes a qualquer momento para atingi-los, feito avalanche. Era sempre uma aventura estar ali. Ele até teve um momento para realmente pensar, num relâmpago, em como seria um ataque de livros possessos sobre eles, livros assassinos. Eis o hábito – ou vício - de pensar coisas aleatórias nos momentos menos oportunos.
Seco. Não se lembrava de sua reação física, talvez inexpressiva. As palavras não saiam da cabeça: seco seco. Teve vontade de dizer: eu te amo, em resposta. Seco seco seco.
Sim, é verdade que há tempos sentia-se deslocado, como se seu corpo não estivesse em sintonia com a alma, algo anormal. Apesar disso, - e apesar de tanta coisa – sentia-se bem. Pela primeira vez amava sem sofrer, mesmo não tendo certeza da correspondência desse amor. Pouco importava: seu amor era livre, pela primeira vez na vida.
Mas fora julgado como coisa seca. Então confundiam o seu bem estar com frieza, aqueles tolos. Sua paz de sentimento, o amor sem cobranças, incomodava o próximo, alguns alguéns da sua rua, os amigos e agora também o amor da sua vida. É que você parece estar seco. Então era preciso sofrer para amar? Já havia passado dessa fase.
Precisava se posicionar, apesar da morte súbita da alma. Talvez aquilo, sim, o deixara seco. Seco por possivelmente ter esgotado o seu amor que era tão lindo.
Foi malandro na resposta, vingança: que eu posso estar seco, sim. Mas eu sei fazer poesia sem ter pra quem. Sei me virar com meus amores inventados, os sentimentos forjados. E acredite, eu sou muito feliz assim.
Precisava ir e foi. Foi seco. O amor havia sido destruído em seis palavras, estalo de compreensão. Estava mais do que claro que seu amor de natureza estranha não serviria. Porque amor para as pessoas comuns era sinônimo de aprisionamento de sentimentos.
Das coisas da vida que aprendera, a mais importante fora não esperar a compreensão de quem não quer compreender. Então, começou a trabalhar num amor melhor para inventar a si mesmo. Um que compreendesse sua “secura”. E que fosse no mínimo estranho o bastante para se ter prazer em amar. Amor que não exija essa reciprocidade doentia. Um amor de libertação.

2 de setembro de 2010

Sobre respostas (a criatura e eu)

Porque, meu amigo – posso te chamar amigo? – eu preciso dos significados das coisas. Entenda, eu já passei da fase dos encantamentos todos que as dúvidas causam. Agora eu preciso de verdades nuas. Vou te explicar melhor, assim: era uma vez eu.
Eu, – coisa de duas letras mesmo: eu. Tão pequeno quanto minha idade. Eu que me julgava o melhor do mundo, preso em minha própria liberdade inventada. Achava-me livre e no direito de amar a tudo e a todos. Amar amar amar – coisa burra essa de querer amar sem sentido. E pior, amor que trazia a seguinte condição: que eu sofresse.
Sejamos sinceros: há coisa mais bela e produtiva que o sofrimento? Meus melhores textos... talvez existisse uma finalidade para tanto desejo pela dor - a arte bem feita?
Eu era criatura que se encantava tão facilmente pelo mistério das coisas, pela dor do amor que não é amor. Acreditando que um dia o amor deixaria de ser dúvida, essa coisa sem forma. E agora é como seu eu soubesse do não entendimento absurdo que envolve todos os sentimentos maiores. Um estalo: então eu cresci?
Ah, é triste. Uma sensação de sei lá, os olhos abertos, olhando para o desejo de ter o que não se pode ter: as respostas. As mãos próximas daquilo que nos chama, mas - pobre de nós, não sabemos como tocar!
Então eu atingi o auge da minha sensibilidade e entendi que entendimento nenhum nos leva ao significado do amor? Os sentidos são essas dúvidas constantes? É que eu tinha esperanças e o sofrimento perdeu toda a sua beleza! Há uma saída? Então tudo o que há no mundo é finito? 
Porque eu cansei do velho jogo de adivinhas. Eu preciso desesperadamente das respostas, mesmo que sejam contrárias às minhas expectativas. Eu preciso sentir uma parcela de confiança em mim. Eu preciso que você se materialize. As dúvidas já não me encantam mais – elas me doem a alma. Você: você é finito? 

* 1,000 visitas! Estou tão FELIZ com o blog! Realizado! É tão bom compartilhar o que sinto com amigos, virtuais ou não. Quando digo "amo vocês que me leem" é com toda a sinceridade do mundo. Sempre tem aqueles que comentam sem ler, eu sei... a gente percebe pelo comentário. De qualquer forma, sei exatamente quem eu amo quando digo que amo. Obrigado, de coração. <3

** Esse é mais um texto em que eu dialogo com uma "criatura" inventada por mim. Funciona como meu psicólogo. Não sei... estou nessa vibe, coisa maluca, mas que não posso ignorar.

28 de agosto de 2010

Quando ainda dançávamos

E então abri os olhos como que acordando de um sono leve. Outros dois olhos me olhavam, os teus. Claros feito... não saberia dizer. Só sei que me obrigaram a fechar os meus novamente e dar continuidade ao nosso ritual – o ritual do sono, dos sonhos. Era mágico: um beijo que adormece causando a sensação dos sonhos mais reais que possamos imaginar. Era quase que tarefa difícil acreditar na realidade do acontecimento do teu beijo, porque nossos movimentos eram imperceptíveis. Como numa dança íntima, nossa. Não havia como ensiná-la a ninguém. Não saberiam executá-la com perfeição...
Lembro-me dessa cena que parece ter sido tirada de um romance antigo, de páginas amareladas cheias de lirismo, como se ela tivesse acontecido há cinco minutos. Ainda com a sensação do peito que não para de bater, essa coisa ridícula do apaixonado. E com uma vontade louca de dançar o teu beijo novamente... – mas só por uma noite.
Assim: como uma mulher que vai a uma festa no teu melhor vestido, dá o ar da graça, sorrisos leves e maliciosos. Ela olha para o teu antigo parceiro e dança a noite inteira com ele sem dizer palavra, sem respondê-lo. Ela simplesmente sorri. E no fim da festa, dá-lhe um último beijo – este na testa - e vai embora para sempre, causando o desconforto geral das pessoas daquele lugar e deixando seu parceiro com a sensação de loucura, como se tivesse imaginado tudo aquilo, triste.
Mas acontece que não, não saberia como fazer. Confesso que não teria forças. Estou tendo uma certeza disso, agora. Não saberia representar. Porque sei que no momento que eu olhasse teus olhos claros me olhando novamente e dançasse esse teu beijo que me causa a sensação de um sonho que é tão real, tão perfeito, eu me renderia para sempre a este sono eterno e cometeria mais uma vez o erro de te amar.

* Desculpem a demora para postar... além do tempo que me falta, estou numa fase TERRÍVEL da minha escrita. Estou enlouquecendo. Não consigo produzir com frequência; tenho tanta coisa pra botar pra fora, mas são sensações que não consigo traduzir em palavras. Hoje tive uma luz e fiz este texto. Espero que tenham gostado. Não desistam de mim, por favor. Amo vocês que me leem. Beijos!

20 de agosto de 2010

Um texto sem movimento

As palavras estão mortas. Agora eu sinto que a função de escrever é fazer com que esse resto de vida existente em mim me movimente novamente de alguma forma. Como impulso – e que preciso tanto.
É que eu sempre fui pessoa de movimento. Assim como esse ar todo que circula. Eu sempre fui do indo endo e ando das coisas. Sempre acontecendo, gerando, fluindo manifestos e caos,  causador de bons (ou maus) ventos às pessoas ao meu redor. Circulando.
Até minhas fotografias tinham movimento. Até o mais imperceptível de mim mesmo. Eu era tão intenso na vida – uma intensidade ruim, talvez - que mal percebia as coisas ao meu redor. Eu não as notava, perdoem-me, mas tentem enxergar algo – qualquer coisa – enquanto estiverem se movimentando na velocidade da luz. É impossível.
Até que eu ouvi o estalo, algo tão forte como um tiro ou tão imperceptível quanto o estouro de uma bolha de sabão: mas eficaz. Ordem de recolhimento. Ordem pra parar. Permanecer.
E então permaneço feito coisa morta. Ou pior: coisa que respira sem fazer barulho, que não tem o movimento do pulso, das pálpebras, do tórax. Eu permaneço na existência que não tem sentido, que não tem apoio. Existência que não tem você. 

14 de agosto de 2010

Um segundo

Um segundo de pane – me senti amando e amado, assim, tão rapidamente, tão de repente, tão... intenso. Foi um segundo de não racionalidade. Eu enquanto máquina parei de funcionar e ganhei um coração com um segundo de vida no exato momento em que você atravessava a rua.  Amor de um segundo.
Você passou, me olhou e eu te amei. Eu te amei eternamente naquele segundo. Tive um segundo para roubar tua essência para mim e o sistema confirmou: operação realizada com sucesso. Tua essência e teu amor. De um segundo.
Eu te possuí ali mesmo na calçada e nós nos sentíamos livres, uma leveza de criar asas. Em um segundo eu só tive a chance de ouvir a primeira sílaba do teu nome – que é segredo e que é lindo. Um segundo gritado.
Um segundo foi o suficiente para que amor de ódio se fizesse. É que amor de ódio é mais deliciosamente perigoso. Tive um segundo de medo. Tive um segundo de orgasmo. Esse causador da minha morte líquida (petit mort) e que fez do meu líquido o teu doce veneno. Um segundo de nós dois.
Um segundo de pavor. Tive céu e inferno em minhas mãos por um segundo e também o teu sorriso pervertidamente inocente. Um segundo de choque. Um segundo de toques. Um segundo do relógio, o tic.

Tac.

Sou máquina sem coração novamente.

11 de agosto de 2010

A coisa vista

Confusão. Acontece da seguinte forma: eu escrevo, escrevo, escrevo – e não chego a entendimento nenhum. A releitura me provoca arrepios. Eu tenho nojo, eu sinto o gosto do vazio mais preenchido de sentimentos do mundo. Só que a união de todos os sentimentos do mundo funciona meio que como todas as cores existentes somadas: o resultado é o branco. 
Então eu mergulho e me afogo nesse branco que é líquido e que vai entrando pelos poros da minha alma. Sinto-me exatamente assim: cego, surdo e mudo de sentimentos. Até que uma mão surge e me tira desse mar sem sal. Mão de um desconhecido qualquer, talvez minha própria mão, afinal, sou desconhecido de mim mesmo e ainda deve me restar um pouco de amor (próprio) e vontade de continuar. Apesar das confusões, apesar das não-soluções impostas pelo desamor.
E uma vez recuperado desse afogamento, eu me sinto assustado, olhos arregalados, medo refletido no espelho. É que eu só sei o que se passa em mim quando eu visualizo a coisa. O papel feito reflexo da minha alma. Mas quando a coisa vista não tem forma, eu me desespero.

8 de agosto de 2010

Tentativa

– Eu não posso te fazer acreditar no meu amor. – disse. Sentiu que as palavras atingiram forte no peito, provocando a não reação de quem ouvia. Mas precisava ser dito.
Não que seu amor não tivesse valia. Não que seu amor fosse ruim. É que se encontrava na seguinte condição: paralisado de sentimentos. Estava cercado por uma barreira criada por ele mesmo, mas que no meio do caminho criou vida própria. Encontrava-se imerso num eterno nada que foi deixado em sua alma: um nada grosso e elástico que o impulsionava ao sentimento, mas logo o puxava novamente trazendo-o para território seguro, sua casa, sua bolha.
É que ele havia se tornado criatura desacreditada. Era tanta dor que fora obrigado a tomar medidas drásticas. Então todas as expectativas que tinha sobre o mundo, sobre a vida, sobre o amor, foram guardadas num canto de sua existência, canto este secreto até para si mesmo, coisa que vai além de trancar a caixa e jogar a chave fora. Suas expectativas dependiam agora do acaso, da vontade do acaso de fazê-lo voltar a acreditar.
Ouvia com frequência que era tudo questão de se permitir, se dar uma nova chance. Mas já foram tantas essas “chances”, meu Deus! Se tivesse cota de tentativas já teria ultrapassado o limite. E não se permitiria mesmo errar por tentar, não agora, não mais.
Ah, acreditar cansava. Arriscar causava sangramento. A alma tremia simplesmente ao pensar em risco novo. Decidiu da seguinte forma: agora estava tudo nas mãos do senhor tempo. “Que belo clichê”, pensava. Mas era sua única crença.
Lembrava ter ouvido num filme a seguinte frase: o tempo arruina tudo.
“Tudo bem, pode ser que sim”, pensou. “Mas por mais que ele arruine tudo, a tragédia obriga a recuperação total das perdas. Então que eu arruine até ser recuperado por completo. Aí sim eu me permito amar novamente.”
Queria ter conseguido dizer tudo isso, mesmo que a situação não pedisse explicação. Não conseguiu. Deu-lhe um beijo no rosto, um último sorriso confuso e partiu.

* À pessoa da inspiração: sinta-se feliz. Minha primeira pseudo-narrativa surgiu por tua causa. Aos demais leitores, perdoem-me a inexperiência com narrativas. –rs; E novamente à pessoa da inspiração: não é forma de te atingir, não é aviso, nem nada. É um texto que nasceu. 

5 de agosto de 2010

Acontecência

Ah, eu quero cuspir. Eu quero te fazer entender que é assim: eu amo a um desconhecido. Acontece numa força, um amor de nascimento inexplicável. ACONTECÊNCIA.
Eu não entendo. O sentimento vem com tal intensidade que chega a doer. Assim como as palavras que escrevo agora. Cada letra sai dos poros da alma e da carne – ambas cansadas de acreditar.
É que eu vim aqui pra falar da minha inspiração. Mas minha inspiração me remete ao amor que não tenho, à dor que é companheira, e ao eterno nada da minha humanidade.
Ah sim, eu sou humano. E me dói saber que amor não é pra mim. Dói mais ainda não poder te acreditar, desconhecido.
Eu te amo, mesmo que tenha nascido agora, invenção minha – amante. Mas não posso acreditar. É que te inventei assim: encantado pela minha arte; fiz com que os meus versos te causasse arrepios de um prazer que é intelectual, espiritual. Eu te fiz encantado pela minha suposta raridade, na minha maturidade. Mas esqueci de te fazer enxergar o principal: minha humanidade. Veja, eu sou humano! Sou criatura que sangra! Você parece não enxergar... e te falta tanto para me alcançar! E não estou sendo prepotente. Estou sendo justo contigo e cruel comigo mesmo. Você, invenção, eu, humano.
Eu sei que tenho a chance, eu tenho as chaves, eu tenho tua mão, eu tenho todos os comandos para te fazer coisa minha. Mas eu simplesmente não posso te fazer existir. Mesmo que já tenha sido criado, eu te mato. Eu não suportaria...


* Texto difícil, eu não consigo entender o que significa para mim. Mas acho melhor postar agora. Seu eu deixasse para postar somente depois do entendimento, talvez eu não postaria. Mudando rapidamente de assunto, tá ficando mais difícil postar com frequência. Aulas, ensaios voltaram. Mas juro não abandonar nem o meu espaço e nem o de vocês. Amo vocês que me lêem.

2 de agosto de 2010

Sobre a inversão dos papéis

Certa vez eu te disse: “tenho medo de você” e sua resposta foi clara, simples: “tenha mesmo”. Lembra-te? Mais objetivo que você, impossível.
Eu era todo coberto de medos, criatura imatura que caía nos teus jogos, no teu colo, tão facilmente, sem desconfiar. Porque você era uma mãe para mim. Não, diferente disso: um pai que eu nunca tive. Éramos pai e filho com uma pitada a mais de desejo. Uma pena que nosso doce incesto nunca teve início. Você preferiu o seu mundo, tudo bem...
O tempo é coisa esquisita. Age nas pessoas sem que elas percebam –  não sentimos o peso na sua execução, mas sim depois da ação terminada. E hoje, para sua própria surpresa, meu amor, você se mostra tão interessado, tão encantado com meu tom de voz, com minhas roupas relaxadas, meu cabelo bagunçado, meus poemas e a minha idade espiritual e mental superiores à idade terrena.
Pois é. O segredo é este: eu fui cobaia do tempo. Experiência viva de que tudo que vai volta. E agora dou-te um aviso: tenha medo de mim. Tenha mesmo. Medo dessa candura, medo de toda a minha poesia agindo sobre você e te fazendo se revelar. Porque hoje eu aproveito tudo que me é dado de bom grado e tomo à força aquilo que não é. E você nem percebe estar sendo roubado – você gosta.
Eu aprendi a ser. Ser o quê? Ser todas as almas existentes em mim. Eu sou vasto. Eu sou claro. Eu sou eu sete vezes. E o mesmo eu que te ama é o eu que vai te fazer sofrer.

30 de julho de 2010

Toda estrela tem seu anjo

As palavras engasgam. Eu estou aqui sentado, 01:02 horas da manhã e já comecei tudo errado. Nem o tradicional desejo das 01:01 horas eu poderia fazer. A cabeça parece mero adereço da minha simples existência – ela flutua, ela gira – ela não está. O que está é a dor da tatuagem feita há meses atrás, a maldita estrela que é o símbolo do nosso amor. Nosso amor, nossa pequena peça de teatro: a estrela e o anjo.
Eu explico. Quando você era coisa minha, nosso amor foi selado da seguinte forma: você me abraçou forte. Assim, a tatuagem do seu ombro direito foi carimbada no meu ombro esquerdo, lembra? Era nossa identidade. Mas quando você se foi, a tatuagem foi arrancada do meu ombro, restando somente uma coisa-cicatriz. E o anjo.
Sou seu anjo porque te disse: toda estrela tem seu anjo. E é um pouco como ser mãe, eu diria. Aliás, amor tem tudo a ver com maternidade. Ama-se a cria, e a cria se vai, não é? Para o mundo. No meu caso, você (a estrela) foi brilhar no ombro de outro alguém. Meu amor encontrou um outro amor, coisa natural de se acontecer, e ao anjo restou a cicatriz que arde a cada beijo teu no amor que agora é teu.
E no meu céu sem estrela resta a confusão e a confissão de que ainda te amo. Nos falamos rapidamente há uns 20 minutos e pronto - sou um anjo triste. Anjo que perdeu sua estrela para o mundo e quando digo mundo, digo “o ombro esquerdo de um outro alguém”. Mas saiba: ele não é anjo. Ele é ser humano comum e um dia você perceberá isso. 
Eu sei, foi tudo erro meu. Erro de português. Deveria ter dito: toda estrela tem um anjo. Um. E agora, eu, o seu anjo, estou aqui tentando ser o seu anjo-mau, tentando te fazer sofrer pela minha ausência, mas não. Não saberia ser. Eu não saberia o que dizer, exceto: volta para o ombro meu. 

27 de julho de 2010

Criação (ou uma brincadeira)

Eu vou brincar de te inventar. Tu serás perfeito na minha imperfeição inventada. Eu te quero pessoa grande e inteira para te encher de certas intensidades, cada uma em cada ponto específico. Cada milímetro do teu corpo será elaborado pela minha mente, até as cicatrizes que serão de uma perfeição de assustar. 
Quero que tenhas uma pinta no canto esquerdo da boca e um olho mais fechado que o outro toda vez que sorrires.Também quero mínimos detalhes nas linhas da tua mão: elas serão grossas como se fossem artérias cheias do sangue da alma, feito água escorrendo veloz, agressiva, indicando o caminho do mar. Eu te quero numa cor estranha, que me deixaria em dúvida se tentasse explicá-la.
E te quero sem nome. Ou com todos os nomes do mundo para poder trocá-los a hora que quiser. Quero-te Maria, Mulher, João, José, quero-te Coisa, quero-te Estrela, Estela, quero-te Anjo Meu, Anjo Mau, quero-te Nada.
Quero que tu tenhas o poder aleatório de me fazer sorrir e chorar, sem que eu controle. Eu quero sofrer e ser amado, tudo ao mesmo tempo, como se esse fosse meu sonho a ser realizado: entender amor e sofrimento como uma coisa só, por mais que não sejam a mesma coisa!, eu sei que não são.
E quero que tenhas o controle total do meu ser até eu dizer chega. Este será o comando. Mas como criatura minha, sua perfeição será tão da minha essência que tenho certeza - este comando nunca será dado.

25 de julho de 2010

Nasceu agora

Eu, feito coisa errante nesse mundo, trago em mim uma única certeza: escrevo. Escrevo sombrio, gostando do efeito causado nas pessoas. Escrevo alegre, gostando do sorriso carimbado num rosto cansado. Escrevo intenso, gostando do arrepio sentido na alma de quem lê. Escrevo para mim como forma de entendimento de qualquer sensação, por mais que sensações não se familiarizem com entendimentos. Escrevo para ti, como forma de te fazer enxergar o mundo como nunca antes visto. Escrevo para Deus, para Zeus, para os anjos, para os monges. Escrevo também para os meus demônios, domesticados ou não. Escrevo com a certeza de que há nesse ato o sagrado, intocável, porém sentido pelo corpo, pela mente, pela alma, pela calma que se faz imediata. Escrevo para demonstrar todo o meu amor inventado em segundos, todo o meu ódio manifestado em menos segundos ainda. Escrevo e faço da palavra minha arma, para te ferir sem sangue. E escrevo para fazer de minhas palavras a tua casa, teu refúgio, tua fuga, teu sossego. Escrevo com a alma. Ou será que minha alma é que escreve por mim?

* Hoje, exatamente às 13:53, descobri que era DIA DO ESCRITOR. Na hora me veio um sorriso no rosto e um impulso, uma vontade louca de escrever. Não poderia deixar passar o dia sem nada. E o texto nasceu assim, praticamente cuspido. E verdadeiro. Feliz dia do ESCRITOR, estas criaturas abençoadas que dão um sentido maior e melhor à essa coisa que chamamos de vida. Beijos!

23 de julho de 2010

Pequeno e pragmático

Recolhendo um mundo de informações. Sou assim: capto as coisas como se eu tivesse antenas. Mas o quê? Um tudo que você puder me oferecer – mesmo inconscientemente, as pessoas sempre me oferecem um material vasto.
Eu trabalho. Jogo tudo num processador biônico que é rápido. Depois, horas a fio de análise. Eu dispenso horas do meu dia na análise, o fator principal. Então o resultado final é sua alma. Assim, feito livro a ser lido – eu leio.
Descubro tudo o que agrada, desagrada e até o seu indiferente. E a partir daí eu me decido: arriscar ou não arriscar? Não me permito mais errar.
Porque eu aprendi a ser máquina.

O Bailarino (by Miller Ezequiel)












Música;
O Corpo Fala,
Pede um passo pela vontade, pelo ódio, pelo óbvio.
Ritmo;
O Corpo responde;
Com raiva, fúria, cólera... rancor.
Movimento;
O Corpo agradece,
Com êxtase, suor, cansaço... alívio
e pede;

Um passo pelo tempo perdido,
Um passo pelas lágrimas,
Outro passo pela solidão e
Mais um passo pela vida.

Pede o corpo, o prazer;
Pede a mente, a força;
Implora para dançar mais...

Um passo pelas derrotas,
Um passo pelas vitórias,
Algum passo pela dor e pela tristeza,
Outro passo pelo amor,
E mais um passo por Vida até o fim da dança.......



Miller Ezequiel
06/07/2010



* Como está no título, esse lindo poema não é meu e sim de um grande artista, um grande amigo: o Sr. Miller, Rellim, Ezequiel... alma formada! Pessoa linda! Esse poema me emocionou muito, não pude deixar de postar. Ah, e sou eu na foto! *-* Créditos à Anne Karoline e Ana Roberta! Lindas! (: Espero que tenham gostado, beijos!

18 de julho de 2010

Deixo (assim, tão facilmente...)

Eu deixo você ir mesmo que não tenha pedido minha permissão, tudo bem. Deixo, porque sei que, mesmo que não mais, eu já estive presente no seu pré-sono. Eu sei... você se deitava e não dormia sem antes me pensar e me fazer sentir que me pensava – eu sentia. Deixo você ir por saber que você já me quis para sempre – e para sempre é sempre, mesmo que um sempre finito. Eu deixo, porque tenho certeza das verdades ditas por você, mesmo sabendo que eram verdades momentâneas. Você sabe que momentos assim são eternos. Deixo porque, pelas suas palavras, eu me fiz especial e pude acreditar no meu valor, mesmo que você tenha se revelado alguém incapaz de dar valor, como você mesmo disse. Deixo, porque sei que eu – e somente eu – fui capaz de te fazer dizer que era eu a pessoa que ia te trazer de volta para um mundo de sentimentos maiores, cheio de bobagens deliciosas. Eu deixo, porque sei que te abri a boca quando seus olhos leram minhas primeiras letras direcionadas a alguém, e esse alguém era você. Deixo pela certeza que tenho de que te fiz arrepiar, suspirar, gemer, gritar, intensificar os seus olhos de mar quando seus lábios eram tocados pelos meus. Eu deixo, então, você ir, porque sei que apesar do seu tanto faz, eu tanto fiz na sua vida, que ainda lhe será insuportável a ideia do erro de ter me deixado ir assim, tão facilmente...

(Domingo, 28 de Março de 2010.)

* Postando textos antigos... estou um pouco cansado das coisas do coração. Engana-se muito facilmente, os sentidos... as vontades... ainda escreverei sobre isso. Beijos!

13 de julho de 2010

Paro de ser (14/03/2010)

Paro de ser. Já não me aguento mais, minha pele não aguenta minha força – rasga a qualquer momento. É intensidade demais, é amor (próprio) demais. É uma mistura de raças e mentes aqui dentro que embaralha a cabeça.
Não quero mais ter que ouvir o nome de ninguém, nem o meu. Quero ser bicho sem nome – e bicho do mato. Eu quero correr mais e mais para o infinito de qualquer lugar, só não posso ficar em mim. Não me suporto.
E chega. Chega de me dizer o que fazer. Não obedeço nem a mim, porque haveria de te obedecer? Quero fugir e permanecer feito estátua. A chuva caindo sem balançar um fio de cabelo. Eu escorro por toda a minha pele e o que fica é minha única essência que não pensa, não fala, não pesa, não sente – é.
E assim eu posso escutar um criador qualquer, importante ou não, mas que se faz presente mesmo sem ser visto: a alma do mundo.
Sim, sim, quero abraçar o mundo. Mas tem que estar vazio. Tem que ser eu e a matéria de mundo. Meu mundo, lugar meu, só meu.

* Texto antigo! Só postei agora porque não era o momento, não em Março. Talvez porque na época em que escrevi esse "parar de ser" era só uma vontade sem fundamentos, uma fuga. Hoje não - é exatamente o que quero. Hoje. Amanhã é outro dia...

9 de julho de 2010

Modernismo de sensações (racional)

Hoje serei racional e o mais direto que minha alma me permitir. Não quero fazer poesia. Hoje estou aqui pra falar daquilo que está me incomodando há um tempo já, que me decepciona: esse amor fácil que corre na boca dos... ingênuos? Perdoem-me, mas é até risível.
Ah, a ingenuidade é uma característica bonita, não é? Chega a ser fofo. Chega a ser quase irresistível. Mas sejamos claros: confundir ingenuidade com burrice é a coisa mais ridícula que pode acontecer. Por que estou falando isso? Porque me cansa. É patético. É triste de se ver.
Como, meu Deus, como alguém pode ter tanta certeza de um amor em tão pouco tempo? Ah, meu amor, você é minha razão de viver! Não consigo, não posso viver sem você. Se respiro é por ti! E somente por ti! Mas como diz a música: Oh, how cute! A ignorância é uma benção!
Não sou hipócrita. Não digo que é impossível que o amor nos atinja de tal forma que em tão pouco tempo não possamos amar. Até eu já disse a maioria das coisas românticas e fofas que todo apaixonado diz. Mas vocês sabem do que estou falando, não sabem? Ah, sabem. Estou falando daquela paixão infantil que os burros, (ops) quer dizer, os ‘ingênuos’ confundem com amor. E que está mais comum do que imaginamos hoje em dia.
Ah, eu te amo! Para o inferno com esse amor de brinquedo! Amor não é digno de palavra. Amor não é digno dessas paixões infantis! Amor não é digno de que seja dito sem verdade. Eu que já passei por tanta coisa em tão pouco tempo e nem sei se amei! Enquanto uns e outros, incapazes de entender um sentimento maior que afeto, saem por aí dizendo que amam.
Então esta é a nova geração? É a nova moda? Para o diabo com esse falso modernismo de sensações! Eu quero é ser careta! Eu quero é ser um velho! Eu quero é um amor de verdade, que preencha todas as letras, sílabas e espaços da frase mais desperdiçada do mundo atual: “eu te amo”.

6 de julho de 2010

Novos impulsos

Eu quero o impulso novo: beirar o precipício, estar à borda, no limite da palavra ser. O ser de existência completa e de sangue que corre nas veias da vida por caminhos mais diversos e dispersos possíveis – sem rumo.
Ser um pouco de tudo, uma brincadeira, um improviso. Ou talvez só uma vontade louca de soltar o grito preso da alma - a boca aberta que é o caminho da palavra que liberta.
E também ser confusão, de períodos sem cor para que seja necessário buscar pela essência nova das coisas. As coisas do escuro, que se escondem, se perdem, morrem e renascem novas para que eu as encontre intensas, inteiras – impulso de novidade.
E quero ter várias caras, partes, artes, vontades, maldades, feitios e graças. Barulho, silêncio, momentos para não pensar.
Ser metade aqui e metade ali.
E quero mesmo é ser regido pelo impulso da minha arte, de minhas vontades, da novidade de querer sempre mais.

* Levemente inspirado pelo Alê, bailarino também, leitor, amigo! Escrevi há um tempinho já. Até cheguei a postar, mas logo excluí, não sei, intuição disse que ainda não era hora. Enfim, isso é viver, isso é dançar (por mais que não esteja explícito no texto). Tudo se trata de sensações. Beijos! (: 

4 de julho de 2010

Reticente, talvez

Estou tão confuso. Estou tão sem rumo. Estou mergulhado num eterno nada. Um nada elástico e escuro. Eu vejo tua mão surgindo feito luz para me resgatar. Mas é tão difícil alcançá-la. Não consigo, não posso. Você está longe, mas não o suficiente. Você está perto, mas não o suficiente. Você está.
Minha movimentação é fraca, quase imperceptível. E estou assim por que estou machucado. Eu que me movimentava todo diante do amor e era sempre o alvo de sua força bruta, força que machuca pra não ter mais cura possível. É tanta dor que não há mais nem meia cura, não há tentativas.
Eu não quero mais nada. Eu não posso mais nada. Eu quero é me agarrar a todos os clichês imagináveis do mundo e os vestir feito segunda pele. Uma proteção. Seja a dor, seja a falsa alegria, seja frase feita, seja você tatuado em preto e branco e uma frase de amor eterno.
Eu sei do que preciso. Preciso de você aqui ou de você bem longe. Preciso do oito ou do oitenta. Preciso do tudo ou nada. Preciso ouvir um eu te amo ou um eu te odeio. Não suporto mais meio termos. Isso está me matando...

30 de junho de 2010

Uma semana, uma estrela...

Uma semana. Tempo suficiente para conhecer alguém? Acho difícil. Mas sou a prova viva de que é tempo suficiente para usufruir de todos os sentimentos do mundo – e mais alguns inventados.
Uma semana, uma estrela, um beijo frio feito metal frio. Uma tatuagem. Um fetiche.
E um anjo.
Eu te disse assim:
- Toda estrela tem seu anjo.
Eu te disse assim:
- Você é a estrela desse meu céu, desse meu momento.
Eu te disse assim:
- Estarei sempre ao lado teu, feito a estrela tatuada em você.
E sem perceber, fui assim, permitindo. Permiti que você fosse tatuado em mim. Permiti apesar da dor que – você me prometeu – melhoraria no fim, em apenas uma semana. Uma semana. Eu fui esperando, sentindo tudo o que tinha direito. Usufruindo do leque de sentimentos que você me mostrava. Doía, mas era lindo!
E agora, já fez uma semana, meu amor. Você se foi, seu brilho se foi. Era o seu tempo máximo para brilhar, não era? Era não: é.
E sua tatuagem continua em mim. É uma estrela e ela não brilha. Mas arde feito fogo. Tudo bem, eu me acostumo fácil. Essa é uma de minhas qualidades.
Ah! e não se assuste se um dia você sentir que a sua arde também. Te explico: é porque a minha vai estar em chamas quando um outro alguém a estiver acariciando. Quando um outro alguém a estiver arranhando. Espero que você sinta. Tenho certeza que sim.

... mas toda estrela (ainda) tem seu anjo. Basta você querer.